terça-feira, 1 de setembro de 2015

Relatório Lilás- Mulheres com Deficiência e a Violência de gênero- Igualdade e Inclusão

     
Da esquerda para a direita: Fernanda Vicari, Edgar Pretto da Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e Elisandra Santos com o livro na mão.
                                            
Por: Elisandra Carolina dos Santos

                                      Resumo





Mulheres com deficiência constituem parcela significativa da população brasileira, com demandas especificas de cidadania. Mobilizações recentes apontam a diversidade entre as mulheres com deficiência, o que deve ser observado na elaboração das políticas públicas. As desigualdades de gênero, cruzadas com deficiência, tornam este segmento feminino mais vulnerável ás violência e discriminações, e por conseguinte, ás violações de direitos humanos



Palavra-chave: gênero; deficiência; vulnerabilidade.


26 Carol Santos, também conhecida como Carol Acessibilidade, é ativista do movimento de mulheres com deficiência, coordena a política do Coletivo Feminino Plural para esse segmento.


Violência de gênero é uma das mais graves formas de discriminação às mulheres. No Brasil, desde 2006 a lei Maria da Penha, que trata da violência doméstica e familiar, prevê formas de prevenir, punir e erradicar este problema, prevendo pena aumentada em um terço caso a vítima seja mulher com deficiência.


Desde 2013, a Lei 12845/2013 trata da atenção à violência sexual. O Brasil é signatário da Convenção Internacional das Pessoas com Deficiência (ONU) desde 20009, pelo Decreto 6949/20009, que resultou de uma longa luta por parte dos movimentos de todo o mundo. " Nada sobre nós sem nós" tem sido um importante lema desse movimento que exige á inclusão na cidadania e nos direitos.

Segundo essa Convenção, " pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Esse documento internacional, que embasa o plano nacional denominado "Viver sem Limites"27, reconhece que mulheres e meninas com deficiência estão frequentemente expostas a maiores riscos, tanto no lar como fora dele, de sofrer violência, lesões ou abusos, descaso ou tratamento negligente, maus-tratos ou exploração; e ressalta a necessidade de incorporar a perspectiva de gênero aos esforças para promover o pleno exercício dos direitos humanos e liberdades fundamentais por parte das pessoas com deficiência.

27 www.pessoacomdeficiência.gov.br

A violência de gênero atinge indistintamente as mulheres em nossa sociedade. Se considerarmos quais violências simbólicas na mídia, nos programas de entretenimento e na publicidade entra em nossas casas pele teve, jornais, outdoors ou nas piadas, no humor, é possível dizer que todas nós estamos expostas à violência e podemos em algum momento da vida passar por discriminações, preconceitos e violações diversas.

Para as mulheres, a violência de gênero é a causa da própria deficiência, tanto da violência de gênero , machista, como é o meu caso ou da violência urbana, tiros perdidos, acidentes, etc. Mas pode ser também a vivência daquelas que já tem a deficiência ou com ela nasceram, em razão das discriminações e desigualdade e pela vulnerabilidade que se estabelece por nossa condição, e por vivermos numa sociedade patriarcal. No nosso caso, a ideologia disseminada na sociedade que tem como base o padrão de "normalidade" como único aceito e valorizado, alimenta uma dupla violação dos direitos humanos.

Segundo o IBGE28, as pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil correspondem 23,92 da população, somando 45,6 milhões. Metade dessa população , em torno de 22,8 milhões são mulheres, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE-2010). Portanto, um expressivo contingente de cidadãs que além de enfrentarem as desigualdades de gênero e cidadania em razão da deficiência. Felizmente essa situação começa a ser denunciada, transformada numa agenda de lutas próprias mulheres com deficiência e do movimento de mulheres e feministas. Seminários, encontros, oficinas tem elaborado propostas que estão sendo encaminhadas para os órgãos públicos para serem objeto das políticas governamentais. Não queremos ser tratadas como vítimas, mas como sujeitas de direitos capazes de tomar nossas pr´prias decisões.

28 htpp://www.pessoacomdeficiência.gov.br/app/indicadores/censo-2010


No entanto, há muito por fazer, pois é preciso conhecer quem somos para nos incluir nas políticas, qualificar os serviços e questionar os padrões culturais na sociedade. As mulheres com deficiência não são uma massa genérica, mas um segmento especifico entre as mulheres, diverso internamente, mas tendo em comum a vivência do gênero feminino. É necessário um olhar também especifico para assegurar esses direitos e a cidadania.


Da mesma forma que a violência de gênero constitui uma ameaça a todas as mulheres, mas acordo com seu grau de vulnerabilidade predispões a maior ou menor risco, também entre mulheres com deficiência, pode definir níveis diferenciados de exposição. As diferentes deficiências- física, auditiva, visual e cognitiva- se somam aquelas diversidades vão resultar em mulheres e meninas diferentes entre si.


Mulheres com deficiência cognitiva, embora a escassez de estudos e pesquisas são um campo em aberto para maior compreensão de problema e a formulação das políticas públicas. A Unicef, segundo menciona Cintra(2008) estima que uma em cada dez mulheres no mundo é vítima de estrupo ao menos uma vez na vida. No caso das mulheres com deficiência, esse numero sobe para 3 em cada dez. Essa maior prevalência estaria assentada no desvalor social e na ideia de que a palavra das pessoas com deficiência tem menor credibilidade ao testemunhar em seu próprio favor.


O texto base III Conferência Nacional das Pessoas com Deficiência (2012)29 lista os tipos de violência cometidos, sendo importante estarmos atentas a eles: isolamento forçado, confinamento e ocultação dentro de casa da pópria família, a aplicação de drogas na comida; a institucionalização forçada e coercitiva; contenção e isolamento em instituições, criação de situações pretextadas para fazer a mulher parecer violenta ou incompetente a fim de justificar sua institucionalização e privação da capacidade legal.

29 http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_genereco_imagens-filefield-description%5D_4pdf


São muitos graves estas situações, que incluem ainda o forjamento de rótulos de raiva e autodeclaração das mulheres como um comportamento de" pessoas com transtorno mental e perigosas" (especialmente se a mulher já foi internada em hospital psiquiátricos); a negação das necessidades e negligência intencional; a retenção de aparelhos de mobilidade, equipamentos de comunicação ou medicação que a mulher toma voluntariamente; as ameaças para negligenciar ou cancelar apoios ou animais assistentes; a colocação de mulheres em desconforto físico ou em situações constrangedoras por longo período de tempo; ameaças de abandono cometidas por cuidadores e violações de privacidade.


A violência sexual tem sido uma experiência de muitas mulheres com deficiência, três vezes maior do que das mulheres em geral. Estrupo e abuso sexual cometidos por membro da equipe ou por paciente internado em instituições; a restrição; desnudamento e confinamento solitário que replica o trauma do estrupo; aborto forçado; e esterilização forçada.


Tendo em vista que mulheres com deficiência estão lutando pelos seus direitos participando de conferências nacionais e lutando pela implementação da Convenção Internacionais sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e de políticas nacionais e locais, há um novo patamar de onde falamos, que é o da cidadania e direitos humanos.


Nessa perspectiva, as mulheres com deficiência do Rio Grande do Sul buscam fortalecer uma estratégia conjunta de ação, em parceria com o movimento de mulheres. Queremos caminhar juntas e apresentar a toda a sociedade nossa posição sobre todos os temas que nos dizem respeitos, em especial aqueles que nos afetam pelo pertencimento ao gênero feminino e por vivermos uma condição particular.


Falando concretamente, é preciso pensar que cada política pública nas áreas da saúde, trabalho, assistência, esteja qualificada para oferecer a atenção adequada.Por exemplo, como assegurar que uma com deficiência, de filho menor, pode acompanhar seu/sua filho/a na internação hospitalar se não há vagas adaptadas para acompanhantes com deficiência?


Como assegurar a privacidade no atendimento na Delegacia da Mulher sem que haja um balção rebaixado, uma sala adaptada, tradutores e intérpretes em Libras? E quando se deixará de ouvir profissionais a admitir a essas mulheres que não sabem lidar com sua saúde sexual e reprodutiva?


E especificamente em relação á violência de gênero, as mulheres com deficiência vem elaborando um conjunto de propostas30, com base na aplicação da Lei Maria da Penha e nas políticas de enfrentamento, entre as quais se destacam-se:

30 O itens destacados constam da Carta das Mulheres com Deficiência elaborada para ser entregue ao Governo Estadual em agosto de 2014.


  • Incluir a transversalidade da temática das mulheres com deficiência nas agendas de todas as políticas públicas das diversas secretarias estaduais e municipais, em especial de educação, saúde, assistência social, trabalho, entre outras;
  • Capacitar agentes do serviço público (executivo, legislativo, judiciário, MP) para prestar atendimento adequado a mulheres com deficiência nas mais diversas áreas, mas em especial na área da saúde e violência, para que atuem de forma humanizada no atendimento às mulheres com deficiência.
  • Consolidar e fortalecer as redes de atendimento da política pública para mulheres com o recorte gênero e deficiência, adaptando e tornando plenamente acessíveis todos os equipamentos para atendimento às mulheres em situação de violência (centros de referencia, delegacias, casas abrigo, juizados) de forma a assegurar acesso e privacidade nesses locais.
  • Garantir e divulgar levantamentos de dados sobre violência contra as mulheres com deficiência junto aos juizados especializados, que devem ser ampliados na perspectiva na inclusão.
  • Incluir no formulário do Boletim de Ocorrência o item “deficiência”. 
  • Difundir a Lei Maria da Penha na rede de ensino, garantindo os formatos acessíveis e fortalecendo a cultura de respeito entre os gêneros e a diversidade entre as pessoas.


Sabemos que são necessários profundas mudanças culturais para dar fim aos preconceitos em nossa sociedade. Tanto a desigualdade entre homens e mulheres como entre pessoas que não se enquadram nos padrões considerados"normais" só podem ser vencidos com o respeito, a inclusão de todas as pessoas na cidadania ativa. Respeito, intolerância, vigilância para o cumprimento dos direitos mais simples aos mais complexos. 


Por acreditarmos na universalidade dos direitos humanos, afirmamos que os direitos só serão de fato humanos se as mulheres estiverem incluídas, e entre essas estamos nós , mulheres com deficiência



CINTRA, Flávia. Mulheres com Deficiência. In: Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência Comentada. SEDH/CORDE,2008.Pag.37


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007/2010/2009/decreto/d6949.htm



Mulheres com deficiência estabelecem demandas a serem levadas às conferências futuras

Grupo de participantes do encontro.

Mulheres com deficiência estabelecem demandas a serem levadas às conferências futuras
 
A fim de garantir espaço e representatividade para as mulheres com deficiência nas conferências de políticas públicas para as mulheres municipais, estaduais e nacional, o Grupo Inclusivass promoveu a 1ª Conferência Livre das Mulheres com Deficiência, no dia 6 de agosto. O encontro reuniu cerca de 40 pessoas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), em Porto Alegre, para debater as políticas públicas e o acesso à informação e para levantar as principais demandas das mulheres com deficiência.

O Grupo Inclusivass nasceu do interesse em criar um espaço propício à construção, pela perspectiva de gênero, das mulheres com deficiência enquanto ativistas e para pressionar os movimentos de mulheres a incorporar a sua agenda entre as prioridades. Durante o evento, a coordenadora do grupo, Carol Santos, defendeu a importância do respeito à diversidade e da segmentação nas discussões dos movimentos de mulheres. “Não podemos falar de políticas públicas para as mulheres se não incluirmos todas”, disse Carol.

No mês em que completa o primeiro ano de existência, o coletivo conquista reconhecimento com a inserção da conferência livre na agenda de encontros do segmento e pela atenção de importantes entidades à pauta levantada. Compunham a mesa, mulheres com deficiência motora, visual, auditiva e com déficit cognitivo. Estavam presentes, também, a presidenta da Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), Vera Daisy Barcelos, representantes da Federação de Mulheres Gaúchas, da Secretaria da Segurança Pública e de diversos movimentos de mulheres e de pessoas com deficiência, o deputado federal Edegar Pretto, deputado estadual Adão Villaverde e a vereadora Séfora Mota.

Antes de abrir para o debate, a integrante da comissão organizadora da Conferência Estadual e dirigente da Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos, Télia Negrão, destacou a importância de espaços livres para o fortalecimento de quem irá participar das discussões futuras. “Quando olho os eixos das conferências estadual e nacional, a impressão que dá é de que o espaço das mulheres com deficiências e de outros grupos não está contido”, lamentou Télia. No entanto, salientou, essa construção é um processo, que tem na Conferência Livre das Mulheres com Deficiência um passo importante.

Tendo em mãos aquela que servirá de norte à luta das mulheres com deficiência - a Carta da Mulher com Deficiência do Rio Grande do Sul, lançada este ano, as participantes salientaram a necessidade de dedicar-se fortemente, em um primeiro momento, ao combate à violência contra a mulher e atenção à saúde, com a criação e divulgação de número acessível na Rede Lilás (item 4) e com o levantamento de dados sobre violência contra as mulheres com deficiência junto aos juizados especializados (item 5). Mais necessidades foram enumeradas pelas participantes, como o atendimento prioritário à mulher com deficiência em exames ginecológicos, a ampliação da áudio-descrição na TV aberta (trazendo maior acesso a informação), dentre outras.

Houve um debate aberto e todas as propostas relevantes foram captadas e passarão a integrar um documento a ser levado às conferências realizadas em diferentes âmbitos. Para isso, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), Vera Daisy Barcelos, convidou todas a somarem às demais reuniões do movimento de mulheres e a participarem da consolidação do Plano Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres.

A integrante do Inclusivass, Vitória Bernardes, avisou: “como aconteceu com o movimento das mulheres negras, chegou a nossa vez de aparecer”. 

Se você quiser fortalecer esse movimento e saber mais sobre o Grupo Inclusivass, acesse o blog:inclusivass.blogspot.com.br e curta a 

País será denunciado na ONU por não garantir direitos de deficientes

Imagem de várias pessoas na cadeira de rodas, visto de baixo.


GENEBRA – Especialistas, organizações não-governamentais (ONGs) e representantes da sociedade civil vão denunciar nesta terça-feira, 25, na Organização das Nações Unidas o Brasil por não garantir acesso ao transporte, educação e saúde a milhões de pessoas com deficiência no País. Hoje, em Genebra, a ONU examina as políticas do governo brasileiro em relação aos deficientes e vai cobrar respostas de Brasília em relação ao que tem sido feito para promover os direitos dessa parcela da população. O Brasil será representado pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas.

Em um informe apresentado aos peritos da ONU por mais de uma dezena de organizações brasileiras e estrangeiras, as denúncias apontam que uma pessoa com deficiência no Brasil ainda vive com sérias dificuldades para ter acesso aos mesmos locais que o restante da população, seja por falta de infraestrutura adequada ou por falta de treinamento de professores, motoristas e gestores. O governo promete responder às críticas ainda nesta terça.

O exame será o primeiro que o Brasil enfrentará em uma década desde a entrada em vigor da Convenção dos Direitos de Pessoas com Deficiências. “A falta de acesso tem sido a maior barreira a ser superada no Brasil”, alertou o informe apresentado pela Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça), a Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência do Brasil (FCD), o Instituto Baresi e a Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente, entre outras.

A lei de 2000 estabelecia até 2010 para que todo o transporte público fosse adaptado. “Mas muitas empresas ainda não cumprem a lei”, acusaram as entidades. Ônibus interestatais e muitas empresas de transporte urbano ainda não teriam instalado elevadores para cadeiras de roda. Motoristas não foram instruídos a operar o sistema, quando existe, e não são poucos os casos de ônibus de linhas urbanas que “aceleram quando veem um deficiente em um ponto”.

Segundo as entidades, o governo tem feito esforços para adaptar os aeroportos. Mas o mesmo compromisso não é visto com metrôs, trens e outros transportes. Os edifícios públicos teriam de ter sido adaptados até 2009. “Mas muitos ainda não estão”, alerta o documento.

Com 25 milhões de pessoas com deficiências no Brasil, os grupos apontam que nem mesmo as construtoras têm erguido os novos apartamentos dentro dos padrões exigidos pela lei para garantir a circulação de cadeiras de roda ou acesso aos banheiros.

Nos centros de saúde, a questão do acesso é ainda um obstáculo. Um levantamento apresentado à ONU aponta que, de 241 unidades de saúde avaliadas em sete Estados, 60% delas não estavam adequadas a receber deficientes.

As políticas de emprego tiveram certos avanços. Mas enquanto o Brasil gerou 6,5 milhões de postos de trabalho entre 2007 e 2010, 42 mil empregos para pessoas deficientes foram fechados.

Nas escolas, a falta de assistência especializada é a barreira. Em 2008, 93 mil estudantes com deficiência foram inscritos na rede pública. Em 2014, esse número caiu para 61 mil.

Para as entidades, “o governo tem feito pouco para conscientizar a sociedade e promover os direitos e dignidade das pessoas com deficiências”. Apesar das promessas feitas à sociedade civil, até hoje nenhuma campanha tem sido organizada para que se conheça os direitos dos deficientes”, completou o informe apresentado pelos grupos.

Primeiro Dicionário de Políticas Públicas no Brasil pode ser acessado pela internet

A Faculdade de Políticas Públicas da UEMG divulgou, no final de 2012, o primeiro dicionário de Políticas Públicas do Brasil(Reprodução)


Capital social, Estado de Direito, Gestor Público, Esfera Pública...Como reunir os principais conceitos de políticas públicas em um só lugar? A partir desse mote, a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) divulgou, no final de 2012, o primeiro dicionário de Políticas Públicas do Brasil.

De acordo com nota publicada no site da UEMG, diferentes autores trazem no documento "reflexões significativas nas diversas áreas em que atuam, sejam elas sociais, políticas e econômicas". O material pode ser útil tanto para estudantes, pesquisadores, quanto para qualquer pessoa interessada na "gestão pública contemporânea e suas relações internas e externas".

A obra foi organizada pelos professores Carmem Lúcia Freitas de Castro, Cynthia Rúbia Braga Gontijo e Antônio Eduardo de Noronha Amabile da Faculdade de Políticas Públicas Tancredo Neves.

O dicionário reúne conceitos teóricos e exemplos práticos. Para consultá-lo online, acesse aqui.

*com informações da UEMG

Fonte:http://www.ebc.com.br/

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

INCLUSIVASS participam da abertura da XXI Semana da Pessoa com Deficiência.

 Na foto vemos a primeira dama sentada e o grupo a sua volta.
No dia 21 de agosto o grupo Inclusivass participou da abertura da Semana da Pessoa com Deficiência que foi realizada no Palácio Piratini com a presença do governador do estado Ivo Sartore, Presidente da Faders Roque Bakofi entre outras autoridades.
Durante o encontro foi assinado um decreto da criação do grupo de trabalho que ira discutir medidas que promovam a inclusão social das pessoas com deficiência,
O encontro foi marcado por diálogos e reflexões sobre a importância das pessoas com deficiência como protogonistas nesta semana e sua participação na sociedade,  as atividades acontecerão durante a semana até o dia 28 deste mês.
No final do encontro o grupo conversou com a primeira dama do estado Maria Elena onde as integrantes pediram uma agenda com o governador do estado a fim de entregarem a "Carta das Mulheres com Deficiência do RS" que contém 21 propostas voltadas as políticas públicas das mulheres com deficiência do RS.
Estavam presentes na abertura as Inclusivass Fernanda Vicari, Cristine Mazuh, Vitória Bernardes, Josiane França e Carolina Santos.

Flores em Gisele.

A imagem ilustra uma mulher com várias flores no cabelo manchas no rosto e a sua volta pedaços de retalhos como se a estivessem a refazendo.


O grupo Inclusivass apoio este projeto de SORORIDADE ONLINE, e enviaremos nossa msn a esta jovem que é mais uma vítima da brutalidade masculina, até nós mulheres continuares vítimas de tais crimes como este.
Participe você também.

Flores em Gisele

Gisele Santos, de 22 anos, foi vítima de violência doméstica. Como resultado, perdeu ambas as mãos, além de seguir carregando muitas outras sequelas.

Acontece que queremos mostrar para Gisele que ela não deixou de ser Gisele pelo que aconteceu a ela: esse episódio trágico de sua história não a define e nós queremos que ela saiba que existem muitas pessoas que, assim como nós, vêem que ela é linda e enxergam flores nela.

Por isso, a equipe do projeto Eu vejo flores em vocêcriou um canal para mandarmos mensagens especiais de amor, apoio e solidariedade para Gisele. Para mandar uma mensagem para ela, acesse: http://bit.ly/floresemgisele

Gisele precisará, também, de próteses muito caras para poder voltar a viver uma vida mais tranquila. Acontece que essas próteses são muito caras! Mas, para ajudar sua família a comprar essas próteses, sua família está arrecadando doações. Saiba como doar em https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-gisele-santos-vitima-de-violencia-domestica

Violência contra a mulher é, infelizmente, muito comum. Muito mais comum do que imaginamos e gostaríamos de acreditar. Por isso, pedimos a todas e todos que se mantenham atentas e atentos e enxerguem os sinais nas mulheres que estão por perto antes que seja tarde demais.

Se você sofre, desconfia ou conhece alguém que sofre abuso, acesse: http://www.livredeabuso.com.br/

Para saber mais sobre o caso [atenção: é muito violento] de Gisele, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/08/1668220-jovem-gaucha-tem-maos-e-pes-decepados-pelo-companheiro.shtml?cmpid=facefolha

Nós vemos flores em Gisele.

Voice Guidance Panasonic Viera TC 32AS600B

Imagem da tela com o menu.

A funcionalidade de voice guidance para televisores da Panasonic tem pontos para melhorar, mas é uma ajuda para quem tem problemas de visão. Permite operar com os comandos do menu e ler textos no browser de Net.



Disponível em português e muitas outras línguas, a voice guidance da Panasonic descreve as possibilidades do menu e indica a selecionada no momento. Permite ainda a leitura de textos a partir do browser da Net. Está incluída nos televisores mais recentes, de 2012 e 2013, da Panasonic, nas séries WT60, ZT60, WT50, VT60, VT50, DT60, GT60, GT50, ET60, ET50, ET5, ST60, ST50, E6, FT60.

Além de vocalizar as opções do menu, a voice guidance também explica como navegar: indica teclas cursoras para selecionar opção e a tecla OK para selecionar, por exemplo.

Esta funcionalidade também é interessante para ler textos no browser de Net. Só tem de mover o cursor (sem clicar) para a zona do parágrafo a ler. O cursor pode ser controlado pelas teclas do comando remoto ou pelo touchpad. O parágrafo é marcado com um contorno colorido e a leitura inicia-se.
Ao contrário das funcionalidades de vocalização de texto existentes, a vocalização de texto da Panasonic em português é claramente percetível e não tão artificial como é comum nestes sistemas, embora existam problemas nalguns termos.
Leitura em modo estático
Após a primeira utilização do televisor, durante o processo de instalação automática, há uma descrição vocal de algumas funcionalidades, como as possibilidades da plataforma “Smart TV” e as diferentes telas iniciais. Mas, depois disso, a voice guidance é desativada. Se quiser usá-la, tem de ativá-la no menu.
A voice guidance não funciona no menu de configuração, o que era desejável, para ajustes de rede ou de parâmetros do som, entre outros.
A leitura de textos do browser também apresenta limitações: quando a leitura se inicia, tem de deixar o cursor parado, pois, se este sair da área assinalada, a leitura é interrompida imediatamente. Caso volte a colocar o cursor no local, ouvirá de novo o parágrafo em causa desde o início, o que pode ser irritante em parágrafos longos.
Os parágrafos com links podem tornar-se igualmente incomodativos. Se o cursor se posicionar num deles, a leitura é interrompida imediatamente, para dizer o nome do link, e retomando depois no início do parágrafo.

Marcus Vinicios Lira postou no Youtube uma demonstração desse televisor:

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ONU cria novo símbolo para acessibilidade


Batizada de ‘A Acessibilidade’ (The Accessibility), logomarca foi desenvolvida para aumentar a consciência sobre o universo da pessoa com deficiência.


Uma figura simétrica conectada por quatro pontos a um círculo, representando a harmonia entre o ser humano e a sociedade, e com os braços abertos, simbolizando a inclusão de pessoas com todas as habilidades, em todos os lugares.


Batizada de ‘A Acessibilidade’ (The Accessibility), a logomarca foi criada pelo Departamento de Informações Públicas da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para aumentar a consciência sobre o universo da pessoa com deficiência. A ideia é usar o símbolo em produtos e locais acessíveis.


Segundo a ONU, o logotipo foi selecionado pelo Focus Groups on Accessibility, em conjunto com a Inter-Departmental Task Force on Accessibility at the United Nations Secretariat. Simboliza a esperança e a igualdade de acesso para todos.


“O símbolo é neutro e imparcial. Sua utilização não implica em um endosso da Organização das Nações Unidas ou do Secretariado das Nações Unidas”, explica a ONU.

Fonte: O Estadão

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

XXI Semana Estadual da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre.

Cartaz retangular na cor cinza claro, arte construída com figuras geométricas coloridas. Na parte de cima, do meio para a direita, há círculos azuis com os símbolos das deficiências na ordem que segue: surdez, autismo, deficiência intelectual, deficiência física e deficiência visual. No canto esquerdo, abaixo, há um retângulo azul escuro e dentro dele está escrito: “XXI Semana Estadual dos Direitos Da Pessoa com Deficiência”.Embaixo deste, à esquerda, há um triângulo verde com a data do evento: “21 a 28 de agosto de 2015”. Uma das pontas deste triângulo invade parte de um retângulo amarelo onde se lê: “Acessibilidade e Inclusão: você no protagonismo desta história”. Há seis pentágonos nas cores: vermelha, azul claro, azul escuro, verde, branco e laranja, alinhados abaixo e dentro de cada um uma palavra: cultura, educação, saúde, paradesporto, trabalho e empreendedorismo e comunicação. Abaixo, no canto esquerdo, o logo da Faders e no direito o logo do Governo do Estado com o texto abaixo Secretaria da Justiça. Fim da descrição.


PROGRAMAÇÃO OFICIAL

21/08/2015 – ABERTURA
Abertura Oficial da XXI Semana Estadual da Pessoa com Deficiência
Horário: 9h30
Local: Salão Negrinho do Pastoreiro – Palácio Piratini (Praça Marechal Deodoro, s/n - Centro Histórico – Porto Alegre/RS) 

22/08/2015 – PARADESPORTO
Horário: 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas
Local: Centro Estadual de Treinamento Esportivo – CETE (R. Gonçalves Dia, s/n - Menino Deus - Porto Alegre/RS) 
8h30 - Credenciamento
9 horas às 10h30 - Talk Show “Gestores Dialogando sobre Políticas Públicas no Paradesporto”. Participação Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Faders, Fundergs, Sesi – Lazer Inclusivo, Cref, e Secretaria de Esporte e Lazer de caxias do sul. Mediação: Camila Nunes (Jornalista)
10h45 às 11h30 - Talk Show “Atletas Dialogando o Paradesporto de rendimento e o Paradesporto Escolar”. Mediação: Mariana Baierle (Jornalista)
13h30 às 17 horas - Oficinas de Esgrima em Cadeira de Rodas, Judô, Hapkido, Goalball, Futebol de 5, Bocha Paralímpica, Atletismo, Bocha em Cadeira de Rodas e Basquete em Cadeira de Rodas
16 horas - Fórum Gaúcho de Paradesporto

23/08/2015 – CULTURA
Horário: 10 às 18 horas
Local: Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)
Exposições de artesanato e pintura
Intervenções artísticas de dança, teatro e música
Mostra Cinema Acessível
14 horas - Arte Educação Especial (Mezanino)
Bate-papo com Betha Medeiros – Professora de Educação Física e Teatro na Escola Especial Educandário São João Batista
15 horas - Arte da Loucura (Mezanino)
Exibição de curta-metragem com audiodescrição, seguido de bate-papo com as diretoras do documentário e equipe de produção da Mil Palavras Acessibilidade Cultural
16 horas – É proibido miar: teatro acessível faz bem para todo mundo (Mezanino)
Bate-papo com Mimi Aragón – Sócia da OVNI Acessibilidade Universal
17 horas - Diversos Corpos dançantes (Saguão e Mezanino)
Projeto de Extensão – Dança/UFRGS: improvisação e poéticas da integração do movimento entre diversas pessoas, seus corpos e suas experiências. Coordenação: Carla Vendramin
OUTRAS ATIVIDADES: Almoço da Inclusão – Realização Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Porto Alegre (COMDEPA)
Horário: 10 às 14 horas
Local: CTG POUSADA da Figueira (Estrada João Oliveira Remião, 6791 – Lomba do Pinheiro/Parada 17 - Porto Alegre/RS)
Informações pelo telefone (51) 3319-6101

24/08/2015 – SAÚDE
Horário: 8h30 às 17h30
Local: Centro Administrativo Fernando Ferrari – CAFF (Av. Borges de Medeiros, 1501, Porto Alegre/RS)
8h30 – Credenciamento
9 horas – Mesa de Abertura
9h15 - 1º Painel: Diagnóstico precoce das deficiências
O que é a triagem neonatal?Por que realizar?
Diagnóstico de Deficiência: o impacto na família e a postura profissional
O olhar do visitador do PIM no diagnóstico precoce das deficiências
10h30 – Intervalo
10h45 - 2º Painel: O SUS e o Cuidado à Pessoa com Deficiência
Rede de cuidados à pessoa com deficiência
Serviços de Reabilitação: órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção (OPM)
O cuidado odontológico à pessoa com deficiência
12 horas – Intervalo almoço
13h30 - 3º Painel: Exercício de Direitos
Direitos sexuais e Reprodutivos
A vulnerabilidade da pessoa com deficiência
15h30 – Intervalo
15h45 - 4º Painel: Das limitações ao cuidado
Cuidando do idoso: avaliando independência e autonomia
Cuidar do cuidador é cuidar de muitos
Doenças Crônicas: o papel da Atenção Básica como coordenadora do cuidado

25/08/2015 – TRABALHO E EMPREENDEDORISMO
Horário: 8H30 às 16 horas
Local: Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos – FDRH/RS (Av. Praia de Belas, 1595 – Porto Alegre/RS)
8h30 – Credenciamento
9 horas – Mesa de abertura
9h30 às 11h30 - Mesa “Garantia de Direitos”
Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – serviços e ações
FDRH – Estágios e concursos
PROSER – relato de experiências
12 às 14 horas – Intervalo
14 horas às 15h30 - Mesa “Ações Inclusivas e Empreendedorismo”
PSAI: Programa SENAI de Ações Inclusivas (SENAI/RS)
SENAC: Projetos Especiais (Núcleo de Educação Profissional)
Indústria de Plásticos HERC
15h30 às 16 horas – Debate
16 horas - Encerramento
- Serviços: SINE Móvel, FDRH, Casa do Artesão e DAS
OUTRAS ATIVIDADES: Seminário Inclusão e Acessibilidade: uma nova realidade – Realização Tribunal de Contas do Estado do RS
Horário: 10 às 17h30
Local: Auditório Romildo Bolzan (Rua Sete de Setembro, 388 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS)
10 horas – Abertura
10h30 – Barreiras e condições de acessibilidade (Sérgio Caribé – Membro do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União)
11h20 – O protagonismo da pessoa com deficiência (Idília Fernandes – Faders Acessibilidade e Inclusão)
12 horas – Intervalo
13h30 – O papel do MPC na fiscalização dos Planos Municipais de Acessibilidade (Gabriel Guy Léger – Procurador do Ministério Público de Contas do Paraná)
14h20 – A implementação da Comissão de Acessibilidade no âmbito do TCE-RS (João Estevão Silveira Filho – Coordenador da Comissão de Acessibilidade do Tribunal de Contas do Espírito Santo)
15h05 – Obras e licenciamentos de projetos (André Huyer – Arquiteto da Divisão de Assessoramento Técnico do MP/RS e Débora Menegat – Coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Ordem Urbanística e Questões Fundiárias do MP/RS – CAOURB)
15h45 – Informação, acessibilidade e inclusão social (Profa. Dra. Lizandra Brasil Estabel - IFRS Câmpus Porto Alegre e Profa. Dra. Eliane L. Da Silva Moro – Fabico/UFRGS)
16h30 – Breve histórico sobre o movimento político das pessoas com deficiência (Reinaldo Charão – Membro da Comissão Permanente de Inclusão e Acessibilidade do TCE/RS)
17 horas – Experiências com auditoria operacional (Gontan Flores Júnior – Auditor Público Externo do TCE/RS)

26/08/2015 – COMUNICAÇÃO
Horário: 9 às 11h30
Local: Auditório do Palácio da Justiça (Praça Mal. Deodoro, 55 - Centro Histórico - Porto Alegre/RS)
Mesa redonda sobre audiodescrição nas assessorias e veículos de comunicação, softwares livres e web acessibilidade.
OUTRAS ATIVIDADES: IV Seminário de Inclusão – Realização Tribunal de Justiça do RS
Horário: 13 às 17 horas
Local: Auditório do Palácio da Justiça (Praça Mal. Deodoro, 55 - Centro Histórico - Porto Alegre/RS)
13 horas – Credenciamento
13h30 – Abertura Oficial
13h45 – Palestra sobre lazer inclusivo com Lisiane Borda Mendonça, gerente da área de esporte, lazer e cultura do SESI/RS
14 horas – Palestra sobre modalidade de esporte paralímpico oferecidas pela Associação dos Cegos do RS (ACERGS), com o diretor de esportes Glailton Winckler
14h10 – Apresentação dos senseis de judô Marcelo Xavier, do Instituto Superação, Darci Campani da ESEF/UFRGS e Carla Oliveira do Grêmio Naútico União
14h25 – Atividade coordenada pelos senseis com demonstração de técnicas de judô com judocas deficientes intelectuais do instituto Superação e judocas deficientes visuais da Seleção Gaúcha de Judô Paralímpico.
14h45 – Intervalo com coffee break
15 horas – Palestra sobre o projeto “Peleando pela inclusão” com a coordenadora Elisiane Silveira Timotheo e execução da coreografia “Pela luz dos meus olhos”
15h20 - “Juntos e Misturados” - Homenagem a colaboradores com deficiência do Poder Judiciário Gaúcho
15h50 – Participação do grupo “As Inclusivas”, voltado as ações em prol das mulheres com deficiências
16h05 – Apresentação musical com Luane Richard
17 horas - Encerramento

27/08/2015 – EDUCAÇÃO
Horário: 8h30 às 17h30
Local: Centro Administrativo Fernando Ferrari – CAFF (Av. Borges de Medeiros, 1501, Porto Alegre/RS)
8h30 – Credenciamento
9 horas – Hino nacional com o tecladista Prof. Marcio Fumaco
9h15 – Mesa de abertura
9h30 - Experiências e Práticas Inovadoras na Escola
Escola Estadual Ensino Médio Anne Frank
Escola Estadual de Ensino Médio Almirante Barroso
Experiências no Processo de Escolarização (educação básica e universidade)
Mediação: Profª. Clarissa Haas
11h15 – Debate
11h45 às 13h30 – Intervalo
13h30 - Experiências e Práticas Inovadoras no Ensino Superior
A trajetória da inclusão escolar narrada pelos caminhos docentes na Educação Básica e no Ensino Superior
Políticas de Inclusão na UERGS
Relato de Experiências
Ações inclusivas no Instituto Federal Sul-Rio-Grandense: Construção da Política e o Desenvolvimento de Tecnologias Assistivas
Mediação: Marilú Mourão
16 horas – Debate
16h30 – Do chão da escola – Parcerias Inovadoras: Diálogo e Construção de Recursos Acessíveis
Mediação: Profª. Márcia Garcia
17 horas – Debate
17h30 - Encerramento

28/08/2015 – ENCERRAMENTO
Horário: 17 horas
Local: Centro Cultural da CEEE – Érico Veríssimo (Rua dos Andradas, 1223 – Centro – Porto Alegre/RS)
OUTRAS ATIVIDADES: Encontro do Conselho Estadual e Conselhos Municipais – Realização Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COEPEDE)/RS
Horário: 9 às 17 horas
Local: Centro Cultural da CEEE – Érico Veríssimo (Rua dos Andradas, 1223 – Centro – Porto Alegre/RS)
Sessão Especial e Comentada do Filme “Meu Pé Esquerdo”
Horário: 19 horas
Local: Cine Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028 Centro Histórico – Porto Alegre/RS)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

SOU MENOS FEMINISTA POR ME DEPILAR?



A dicotomia Depilação – Feminismo tem sido debatida, desde há um tempo a esta parte. Exemplos disso são algumas das postagens em páginas feministas brasileiras, e até já alguns média portugueses abordaram a questão, aquando do surgimento da “moda” dos pelos coloridos nas axilas.

Há quem considere incompatível fazer depilação e ser feminista, e há ainda quem seja da opinião de que não se é menos feminista por tratarmos o nosso corpo do modo que queremos, fazendo com que o tão conhecido lema my body, my rules (“o meu corpo, as minhas regras”) ganhe sentido. Mas se tudo isto ainda te deixa confusa e não tens a certeza da (in)compatibilidade entre feminismo e depilação,espero esclarecer-te com este artigo.

“Os pêlos do meu corpo dão-me o poder de gostar de mim própria. O meu corpo, as minhas regras”



Em primeiro lugar, importa perceber que esta “coisa” da depilação, não é recente. Surpreendida? Pois bem: em mulheres, tornou-se normal a remoção das pilosidades corporais ainda em 4.000 a.C., e em homens, costa que em 1.500 a.C. já se depilavam.

No entanto, a depilação enquanto imposição social, é algo recente, caindo – maioritariamente – sobre as mulheres, algo que tem vindo a tornar-se cada vez mais óbvio para todas nós. Atualmente, pelos num homem não passam disso mesmo: pelos. E quanto às mulheres? Bem, todas sabemos que o patriarcado demoniza os pêlos nas mulheres, ora porque “é nojento”, ora porque “é pouco feminino”, ora porque “é falta de higiene”.

Mas porquê esta abominação dos pêlos femininos? Cynthia Semíramis, mestre em direito e investigadora da História dos Direitos das mulheres, explica, numa entrevista ao jornal brasileiro
O Tempo – que podes ver aqui -, o que pode até parecer óbvio, mas nunca é demais compreendermos. Segundo a investigadora, a sociedade segue-se atualmente por padrões binários: Existem aspetos marcada e assumidamente femininos, e os outros, marcadamente masculinos. Dentro destes últimos encontram-se, precisamente, os pêlos. Nas palavras da investigadora “à medida que mulheres passaram a reivindicar direitos e modificar roupas e costumes a pressão para demarcar papéis de género aumentou, influenciando também na aceitação dos pêlos e de outras características que diferenciassem o masculino do feminino”.

Deste modo, ter pêlos passou a ser “sinal de virilidade” enquanto que às mulheres se impôs que se apresentassem sempre femininas e depiladas. Ao adaptar-se a estes padrões estéticos, a mulher seria assim aceite socialmente, sem tentar entrar no espaço que não seria o seu, o que seria uma “ameaça” à virilidade masculina.

O possível antagonismo que pode existir entre feminismo e depilação, terá, provavelmente, uma explicação simples: como sabemos, enquanto feministas questionamos os tão irritantes gender roles, os papéis de gênero. Com isto, basta-nos refletir: porquê sujeitarmos-nos ao que é marcadamente assumido socialmente como “feminino”? Porque é que temos que caber nesse molde cor de rosa que nos impingem e constroem à nossa volta? Exato, não temos.


Apesar de tudo isto, enquanto feministas devemos ter sempre presente que, se uma das nossas lutas é contra os papéis de género e tudo o resto que nos tenta colocar numa redoma feminina ou masculina, também temos o direito de fazer com o nosso corpo o que quisermos.


“Depila-te porque queres, não porque tens de o fazer”





Agora, espero ter esclarecido toda a tua possível confusão. Se somos pela liberdade, que não fiquemos a meia nau. Quanto ao teu corpo, pensa no seguinte: Se achas que a depilação te é imposta pelo patriarcado e que isso não funciona para ti, estás certo. Por outro lado, se a depilação, mesmo que imposta pelo patriarcado te faz sentir melhor, estás igualmente certo. Com o teu corpo, deves fazer o que queres e o que te faz sentir melhor. Porque não, não és menos feminista por te depilares, sejas homem, mulher, transgênero, sem gênero. Lembra-te que és livre, faz com o teu corpo o que queres.

Fonte:http://www.oclitorisdarazao.com/

MATERNIDADE E PROSTITUIÇÃO: QUE RELAÇÃO?


Foto pertencente a uma campanha de reivindicação de direitos da AMMAR (Asociación Mujeres Meretrices de la Argentina en Acción por Nuestros Derechos).

As mulheres que exercem a prostituição sempre sofreram da atribuição gratuita da etiqueta de má mulher. As estigmatizações sociais que sofrem as mulheres em geral estão intimamente ligadas à construção dos papéis de gênero e a prostituição, entre muitas outras coisas, significa autonomia, significa transgressão das regras sexuais normativas e significa a utilização do corpo como estratégia de empoderamento e, portanto, de negação da necessidade de ter um companheiro masculino provedor.

Este controlo social sobre o corpo e sexualidade das mulheres leva a que quando se junta uma atividade feminina transgressora como a prostituição com o símbolo mais tradicional da existência da mulher, a maternidade, a reação da opinião pública – e privada, não neguemos – seja de desconserto e ambivalência com base numa estrutura de superioridade moral.

A maternidade é, assim, muitas vezes utilizada como um mecanismo mais de controlo das mulheres em geral e muito evidentemente das que exercem a prostituição, catalogadas como eticamente ineptas para educar uma criança quando, frequentemente, o exercício desta atividade serve justamente os propósitos de garantir a educação dos seus filhos. Continua socialmente presente, sem margem para dúvidas, o mito do instinto maternal, alimentado pelos processos de socialização das crianças do sexo feminino que se baseiam no determinismo biológico e universalizam condutas de identificação com o papel materno da mulher, afastando qualquer outra alternativa de construção da identidade feminina.

Interpretar a sexualidade de todo um colectivo a partir da sua significação social atual e não da subjectividade de cada mulher constitui uma segregação de todos os grupos de mulheres que ficam de fora da moldura patriarcal conceptual desejável e esperada. Ao mesmo tempo, perpetuar e reproduzir estas interpretações gera equívocos graves como a associação direta entre o exercício da prostituição e a inevitabilidade da figura da má-mulher/má-mãe.

Existe realmente uma relação entre o facto de a atividade laboral da mãe ser no âmbito dos serviços sexuais e a sua capacidade educativa e afetiva? Nada indica que sim e os estudos que já foram realizados neste sentido não encontram nenhuma prova dessa relação negativa, a não ser em casos nos quais se conjugam com a prostituição vários outros factores de vulnerabilidade social e pessoal como a violência, a dependência de substancias, a pobreza, etc. Os colectivos organizados de mulheres que exercem a prostituição reclamam constantemente que se deixe de estigmatizar a sua atividade com base nesta dicotomia simplista de boa/má mulher e que se lhes permita a liberdade para escolher a sua saúde sexual e reprodutiva com base nos seus critérios pessoais, que em nenhum momento põem em risco o cuidado dos seus filhos ou familiares.

No âmbito de uma investigação que estou a desenvolver com mulheres pós-menopausicas que exercem a prostituição pude concluir, entre outras coisas, que é o próprio estigma social da prostituição que funciona como pressão determinante na relação das mulheres com xs seus filhxs, tal como já se concluiu em vários estudos feitos nos Estados Unidos (SLOSS, Christine and HARPER, Gary, 2004). Estes múltiplos papéis da mulher, cada um com uma carga social tão diferente, provocam um sentimento de vergonha e de auto-estigmatização que condicionam a vivência de uma maternidade plena e livre de pressões sociais. A longo prazo, origina frequentemente situações de ruptura de filhos contra mães que exercem a prostituição, mesmo nas situações em que esta atividade não teve qualquer repercussão na relação materno-filial nem foi do conhecimento da família ao longo do crescimento dos filhos.

Relata uma mulher: “A prostituição marcou a má relação com os meus filhos. Superei os maus tratos em casa, superei o abuso sexual do meu irmão, mas não o desprezo dos meus filhos. Não poder desfrutar dos meus filhos é algo que sempre me doeu. Sempre tentei ocultar (que exerce a prostituição) mas eles sabem e isso marcou uma relação de repulsa. Separei-me do pai deles porque me maltratava e não queria que o vissem e por isso tive que exercer a prostituição para dar-lhes de comer mas agora renegam-me.”

Situações como a descrita são relativamente comuns e marcam uma dupla vitimização: por um lado, a mulher é vitima de violência de gênero, o que determina algumas das suas escolhas; por outro lado, estas mesmas escolhas levam a que os seus filhos se afastem, provocando uma segunda situação de violência, desta vez familiar, que acaba por ter repercussões não só a nível pessoal como social e institucional.

Outra mulher diz: “Por causa da prostituição, os meus pais afastaram-me dos meus filhos e roubaram-me os meus direitos. Culpavam-me a mim mas a minha família já era desestruturada e foram eles que me deram o passaporte para exercer a prostituição. Eu não tinha outra maneira de alimentar os meus filhos”.

Neste caso, o estigma vem diretamente por parte da família e indiretamente por parte da comunidade conservadora e reguladora da liberdade sexual das mulheres a que esta mulher pertence, com regras de conduta muito influenciadas por um contexto religioso restritivo.

Estes são apenas dois exemplos de como uma relação que muitas vezes se vê como causa-efeito, ou seja, o exercício da prostituição não ser compatível com a maternidade, é maioritariamente uma relação triangular com outro fator determinante: o estigma que existe contra estas mulheres condiciona, mais do que qualquer outra coisa, a relação que podem estabelecer com a sua família ascendente e descendente e a vivência da maternidade.

Fonte:http://www.oclitorisdarazao.com/