quinta-feira, 2 de julho de 2026

Lançamento do Projeto Elas em Rede: Escola sem Violência

 

Logomarca do projeto centralizada sobre um fundo branco.

À esquerda, a palavra "Elas" aparece em letras grandes na cor roxa, em uma fonte cursiva. Logo abaixo, a expressão "em" está escrita em preto, também em estilo manuscrito. Ao lado, a palavra "REDE" surge em letras maiúsculas brancas sobre um retângulo com degradê em tons de azul e roxo.

Acima da palavra "REDE", há uma ilustração vista de costas de cinco crianças caminhando de mãos dadas. No centro do grupo está uma criança usuária de cadeira de rodas. As demais crianças apresentam diferentes tons de pele, cores de cabelo e vestimentas, representando diversidade e inclusão.

Ao redor das crianças, linhas pretas com pontos azuis formam um símbolo que remete a conexões em rede.

Abaixo da logomarca, em letras maiúsculas azuis, está o texto "ESCOLA SEM VIOLÊNCIA".

O Movimento Feminista Inclusivass lançou o projeto Elas em Rede: Escola sem Violência, uma iniciativa realizada em parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Chapéu do Sol e com o apoio do Fundo Elas+.

O projeto busca prevenir e enfrentar a violência de gênero facilitada pelas tecnologias, promovendo uma cultura de respeito, igualdade e cidadania digital entre crianças e adolescentes.

Ao longo da execução serão desenvolvidas diversas ações, entre elas:

  • formação de jovens multiplicadoras, fortalecendo o protagonismo estudantil na prevenção das violências;

  • oficinas sobre violência digital, cyberbullying, misoginia, discurso de ódio, consentimento e segurança na internet;

  • atividades educativas com estudantes, famílias e equipe escolar;

  • pesquisa sobre o uso das redes sociais e a percepção da violência digital no ambiente escolar;

  • elaboração de uma cartilha educativa sobre violência digital contra meninas e adolescentes;

  • produção de materiais de comunicação e campanhas de conscientização;

  • fortalecimento da rede de proteção e promoção dos direitos de meninas e adolescentes.

O Elas em Rede acredita que a escola é um espaço fundamental para a construção de relações baseadas no respeito, na igualdade e na garantia de direitos. Ao formar jovens multiplicadoras e envolver toda a comunidade escolar, o projeto contribui para uma internet mais segura e para uma sociedade livre de violências.


terça-feira, 14 de abril de 2026

Educação Inclusiva para quem?

No topo, aparece um logotipo com borboletas coloridas e o nome “Inclusivass”, ao lado de letras grandes e coloridas “ABC”. Ao centro, em destaque, está o título “Educação Inclusiva”, seguido da frase “para quem?” e o nome “Bruna Schatschineider”.

Ao redor do título há elementos escolares ilustrados, como lápis, tesoura, borracha, clipes e um personagem em forma de lápis usando chapéu de formatura e segurando uma varinha.

Na parte inferior, há três crianças desenhadas sentadas no chão, interagindo com materiais escolares. Uma delas usa óculos, outra segura um livro, e todas estão sorrindo. Ao lado direito, há a ilustração de uma mulher em pé, vestindo roupa azul e segurando uma bengala, representando uma pessoa com deficiência visual.




No Dia Mundial da Educação Inclusiva, 14 de abril, denunciamos a realidade vivida por meninas com deficiência nas escolas do Rio Grande do Sul.


Garantir o direito à educação não é apenas garantir matrícula. É assegurar acesso, participação, permanência e aprendizagem. Quando isso não acontece, o que vemos é a reprodução de desigualdades estruturais.


Nas escolas, estudantes com deficiência ainda enfrentam barreiras cotidianas: materiais não adaptados, espaços físicos inacessíveis, ausência de recursos de comunicação, falta de apoio especializado e práticas pedagógicas que ignoram diferentes ritmos de aprendizagem.


A falta de políticas públicas consistentes e de investimento em educação inclusiva produz e mantém essas barreiras. Quando acessibilidade, formação docente e recursos pedagógicos não são prioridade, a exclusão deixa de ser exceção e passa a fazer parte da estrutura do sistema educacional.


Mas essas barreiras não atingem todas as pessoas da mesma forma. Meninas com deficiência enfrentam uma dupla desigualdade: o capacitismo e as desigualdades de gênero. Enquanto meninos com deficiência, em muitos contextos, recebem mais incentivo à autonomia e à participação, meninas são frequentemente superprotegidas, desacreditadas ou mantidas sob expectativas mais baixas de aprendizagem.


Essa diferença de tratamento reforça papéis de gênero dentro da própria escola e limita o acesso das meninas com deficiência às mesmas oportunidades educacionais oferecidas aos meninos.


Esse cenário revela o capacitismo institucional. Ele aparece quando a inclusão é celebrada no discurso, mas não garantida na prática; quando adaptações são adiadas; quando a responsabilidade pela inclusão recai sobre famílias ou sobre as próprias estudantes.


Também é fundamental garantir a participação efetiva das profissionais da educação na construção pedagógica de práticas inclusivas, com recursos acessíveis que possibilitem a presença, a voz ativa e a participação das estudantes com deficiência nos processos de aprendizagem.


Sem acessibilidade pedagógica e sem o reconhecimento da experiência das próprias profissionais e estudantes com deficiência, a escola segue reproduzindo exclusões.


O capacitismo também atinge profissionais da educação com deficiência. Professoras enfrentam barreiras de acessibilidade, desconfiança sobre suas capacidades e ausência de condições adequadas de trabalho, o que limita sua participação plena nas instituições escolares.


Educação inclusiva não pode ser tratada como improviso ou boa vontade. Ela exige compromisso público: formação docente contínua, acessibilidade física, comunicacional e pedagógica, recursos adequados e participação ativa das próprias pessoas com deficiência na construção das políticas educacionais.


Sem políticas públicas efetivas, investimento e reconhecimento das desigualdades de gênero, meninas com deficiência continuarão enfrentando mais obstáculos para acessar e permanecer na escola.


Neste 14 de abril reafirmamos: educação inclusiva é direito, é política pública e é responsabilidade coletiva.


Bruna Schatschineider