terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 

Card com fundo preto com o desenho da bandeira do Brasil em traços brancos. No centro, onde normalmente aparece a faixa com o lema da bandeira, está escrito “Não há dia de paz”. A faixa está manchada por um filete de sangue vermelho que escorre para fora do círculo, marcando a imagem com gotas que caem até a parte inferior. Abaixo, em letras grandes e brancas, aparece a palavra “MULHERES”, parcialmente coberta por uma mancha vermelha que simboliza sangue. No topo da imagem estão os logos do Inclusivass e do Fundo Elas+.

Os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher aconteceram em um cenário no qual, diariamente, TVs, jornais e rádios estamparam a barbárie cometida contra mulheres em todo o país. Mulher assassinada e estuprada enquanto praticava exercício; duas mulheres mortas pelo colega que não aceitava ser chefiado por mulheres; uma mulher grávida e crianças mortas em um incêndio criminoso; uma mulher arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-companheiro  e tantos outros casos que nos atravessam, nos impactam e nos paralisam.

A violência contra as mulheres segue brutal, cotidiana e escancarada. Mulheres violentadas e estupradas por grupos misóginos, como os chamados red pills, tornam-se combustível para o mundo virtual, alimentando algoritmos que fortalecem ainda mais o discurso de ódio contra nós. Misóginos têm espaço garantido para disseminar violência e as plataformas lucram com essa dinâmica. É uma internet que autoriza, pela falta de responsabilização, a continuidade desses crimes, porque a legislação atual não acompanha a velocidade nem a complexidade da violência digital.

As vítimas se tornam palco desses horrores e, no dia seguinte, desaparecem da narrativa pública. Já os feminicidas e agressores viram manchete, ganham fama, alimentam seguidores e fortalecem o imaginário que culpa as próprias mulheres pela violência que sofrem. Em pleno século XXI, ainda assistimos à sociedade responsabilizar mulheres vítimas de feminicídio ou tentativa de feminicídio  porque “não denunciaram”, “não saíram antes”, “voltaram para o agressor” ou, quando conseguem romper, porque “reconstruíram a vida”. A mensagem é sempre a mesma: a culpa é da mulher.

A verdade é que não existem condições adequadas de acolhimento, suporte psicológico, autonomia econômica, políticas de prevenção ou redes de proteção que garantam às mulheres caminhos reais para romper o ciclo da violência. A legislação falha, demora e não alcança a complexidade da violência de gênero especialmente a violência digital, que cresce sem freios e sem responsabilização efetiva.

No Rio Grande do Sul, estado que ocupa o 5º lugar no índice de violência contra as mulheres, os números são alarmantes. Segundo dados do Observatório da Lupa Feminista, até o fim de novembro deste ano, 78 mulheres foram assassinadas, além das muitas que sobreviveram a tentativas de feminicídio  mulheres cujas sequelas físicas, emocionais e sociais ainda desconhecemos e que o Estado raramente acompanha.

Mudar essa realidade é urgente. Não existe enfrentamento à violência contra as mulheres sem responsabilização do Estado, sem políticas públicas consistentes, sem educação para igualdade de gênero e, principalmente, sem colocar os homens dentro do debate. A violência que mata, mutila, controla e silencia mulheres é produzida, ensinada e reproduzida por uma cultura que naturaliza a misoginia e transforma nosso sofrimento em espetáculo.

É hora de romper esse ciclo.
É hora de responsabilização.
É hora de transformar indignação em política pública.

Porque nenhuma mulher deveria sobreviver ao terror para só então ser vista.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A MISOGINIA VIROU MERCADORIA!


A imagem mostra uma mulher, vista de costas, parada em frente a uma parede revestida com azulejos. Ela observa um cartaz feito à mão onde se lê “Basta de feminicídio!”, acompanhado de uma marca de mão em vermelho e de uma hashtag escrita abaixo. A mulher veste um vestido às riscas coloridas e carrega uma sacola azul.  Abaixo da fotografia, há um título de coluna que discute como a misoginia — descrita como “ódio às mulheres” — tem sido transformada em mercadoria dentro do capitalismo digital. O texto é apresentado em letras vermelhas sobre fundo branco, com identificação da coluna e da autora.



Nosso primeiro texto publicado no Jornal Brasil de Fato RS.

O que vemos nas últimas semanas escancara um silêncio cúmplice diante da misoginia um ódio às mulheres que tem se fortalecido, transformando-se em mercadoria para o capitalismo digital. Homens cometem crimes bárbaros contra mulheres e, ainda assim, viram manchete, ganham visibilidade, engajamento e até seguidores. Enquanto isso, as vítimas são colocadas de lado, apagadas ou reduzidas a notas rápidas, e os algoritmos continuam impulsionando misóginos que lucram disseminando ódio em plataformas e grupos.


Os crimes recentes, que ceifam vidas, mutilam corpos e incluem violência sexual extrema, mostram como a misoginia virou espetáculo, palco do terror. Feminicidas e agressores ganham fama às custas de mulheres mortas, violentadas e, quando sobrevivem, muitas vezes mutiladas.

É o caso de Taynara Souza Santos, atropelada pelo ex-companheiro e arrastada por mais de um quilômetro. Ela teve as duas pernas amputadas pela gravidade dos ferimentos mais uma mulher que se torna pessoa com deficiência após uma tentativa brutal de feminicídio. Uma sobrevivente da violência que tenta nos destruir física, emocional e socialmente.

E o mais revoltante é perceber como, mesmo diante dessa crueldade, a sociedade insiste em naturalizar a misoginia. Surgem justificativas, insinuações, dúvidas sobre a vítima. A violência extrema é tratada como tragédia isolada, quando na verdade é fruto direto do machismo estrutural que organiza nossa sociedade.

As plataformas digitais, que lucram com o ódio viralizado, tornam-se cúmplices ao permitir que discursos antifeministas circulem com força, criando comunidades inteiras dedicadas a atacar, humilhar, perseguir e incentivar violência contra mulheres. A misoginia virou conteúdo, entretenimento, negócio e isso exige que nossa luta enfrente não só os agressores, mas também os sistemas que alimentam e amplificam essa violência.

Histórias como a de Taynara seguem se repetindo. As que sobrevivem carregam marcas físicas e emocionais de uma violência que tenta nos calar, controlar e destruir. E, quando sobrevivem, enfrentam também o capacitismo, o abandono do Estado e a invisibilidade da mídia.

Não podemos permitir que a misoginia continue sendo espetáculo, e que a violência contra nós seja monetizada.

Nosso compromisso é com a memória das que se foram, com a proteção das que ainda vivem e com a luta das que sobrevivem. Seguimos denunciando, nomeando e enfrentando.
Porque nossas vidas não são mercadoria e nossos corpos não são território de violência.

Movimento Feminista Inclusivass

Texto publicado na Coluna das Inclusivass no Jornal Brasil de Fato, em 06/12/2025

sábado, 6 de dezembro de 2025

PodCast de Fato: Capacitismo e questão de gênero ainda são pouco debatidos no país, alerta Carol Santos

 



Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem 8,3 milhões de mulheres com deficiência. Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023) revelam a dimensão da vulnerabilidade: 8,5 milhões de mulheres foram vítimas de stalking no último ano e 1,5 milhão teve imagens íntimas vazadas sem consentimento.

Para enfrentar esse cenário, o Movimento Feminista Inclusivass, com apoio do Fundo ELAS+, lançou o Guia Anticapacitista de Boas Práticas Digitais, uma publicação pioneira que propõe caminhos para tornar os ambientes online mais seguros, acessíveis e justos.

O guia apresenta o conceito de violência capacitista digital de gênero, destacando como mulheres e mulheres LBTs com deficiência sofrem uma tripla opressão no ambiente virtual — marcada pela falta de acessibilidade técnica, pela deslegitimação de suas vozes e por discursos que reforçam exclusões históricas.

Para aprofundar esse tema, o De Fato recebe Carol Santos, uma das fundadoras do Inclusivass, que explica como o guia foi construído, os desafios enfrentados pelas mulheres com deficiência dentro e fora das redes e as ações necessárias para promover uma internet verdadeiramente inclusiva.

Link do PodCast:

sábado, 29 de novembro de 2025

NOTA- Dia Internacional das Defensoras dos Direitos Humanos

Card fundo roxo com textura, e no topo lê-se o texto: “Dia Internacional das defensoras de Direitos Humanos”.  Ao centro, em letras grandes e azul-claro, está a frase: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.”  Na parte inferior, surge uma ilustração de várias mulheres diversas.


Hoje, no Dia Internacional das Defensoras dos Direitos Humanos, nós, mulheres com deficiência, reafirmamos a nossa luta coletiva por dignidade, igualdade e justiça. Defendemos os nossos direitos a partir de uma agenda feminista inclusiva e interseccional, construída com as nossas próprias vozes, experiências e resistências.


Nós criamos e construímos a Carta das Mulheres com Deficiência do RS, e é a partir dela do nosso trabalho, da nossa vivência e do nosso protagonismo que seguimos a exigir políticas públicas que garantam acessibilidade plena, autonomia, saúde integral, educação inclusiva, participação política efetiva e o fim de todas as formas de violência: física, psicológica, sexual, institucional, obstétrica e socioeconômica.


Reafirmamos com firmeza que:

A violência digital não pode ser mais um tipo de violência que nos silencia.

Ela tenta restringir a nossa presença nos espaços online, reforça o capacitismo, dissemina ódio e ameaça a nossa liberdade de expressão. Exigimos medidas concretas do Estado e das plataformas digitais para prevenir, monitorizar e responsabilizar autores de violência digital contra mulheres com deficiência.

Seguimos também na luta contra o capacitismo estrutural e digital, que insiste em nos invisibilizar, infantilizar e excluir dos processos de decisão.

A nossa existência é política. A nosso movimento é resistência. A nossa voz é instrumento de transformação.


Continuaremos unidas, firmes e incansáveis, construindo um presente e um futuro onde todas as mulheres com deficiência possam viver com liberdade, segurança e dignidade.

Movimento Feminista Inclusivass 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Lançamento "Guia Anticapacitista de Boas Práticas Digitais.

A capa do guia aparece ilustrada à esquerda, mostrando uma pessoa sentada com um laptop e um megafone, além de uma pessoa com bengala e um cão-guia. Há ícones de acessibilidade dispostos em uma faixa vertical, representando diferentes tipos de deficiência (motora, visual, auditiva, intelectual etc.).  À direita, em letras grandes e brancas: “VENHA PARA O LANÇAMENTO!”  🔹 Informações do evento:  Data: 15/11/2025 (sábado)  Horário: 19:00  Local: Clube do Comércio  Endereço: R. dos Andradas, 1085, 3º andar – Praça da Alfândega – Centro Histórico  🔹 Realização e Apoio: Na parte inferior, há logotipos das instituições envolvidas:  Realização: INCLUSIVASS  Apoio: ELAS+ e Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos  Parceiras: Feminino Plural, Querela, Marta Pimenta, Com Catavento, Estúdios Eliane Lopes e Taga Relas  O fundo do cartaz é azul com linhas e pontos interligados, remetendo a uma rede digital.



 Vem com a gente!

No dia 𝟏𝟓 𝐝𝐞 𝐧𝐨𝐯𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 (sábado), às 𝟏𝟗𝐡 , acontece o lançamento do “𝐆𝐮𝐢𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐁𝐨𝐚𝐬 𝐏𝐫𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐃𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐢𝐬”
O 𝐆𝐮𝐢𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐁𝐨𝐚𝐬 𝐏𝐫𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐃𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐢𝐬 é uma iniciativa do 𝐏𝐫𝐨𝐣𝐞𝐭𝐨 𝐓𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐑𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐈𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐢𝐯𝐚𝐬𝐬 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬, desenvolvido pelo Movimento Feminista Inclusivass do Rio Grande do Sul, com apoio do Fundo ELAS+, que desde 2016 fortalece o protagonismo das mulheres e meninas com deficiência no RS e no Brasil, garantindo a defesa e a visibilidade dos seus direitos humanos.
Este material foi construído de forma coletiva, com compromisso feminista e interseccional, que busca formar, conscientizar e ampliar o conhecimento sobre capacitismo digital e violência de gênero online, ao mesmo tempo em que promove a inclusão digital das mulheres com deficiência.
📍 Local: Clube do Comércio
📫 Endereço: Rua dos Andradas, 1085 – 3º andar, Praça da Alfandega-Centro Histórico (Porto Alegre)
Realização: Inclusivass
Apoio: Fundo Elas+
Parcerias: Coletivo Feminino Plural, Themis-Gênero, Justiça e Direitos Humanos, Querela Jornalistas Feministas, TagaReLas, Marta Moura, Centro Referência Lisiane Lopes, Ong Ester Mulher, Elizete Morais Consultoria em Beleza

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

𝟐𝐚 𝐎𝐟𝐢𝐜𝐢𝐧𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐧𝐨 𝐃𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐥 – 𝐅𝐨𝐫𝐭𝐚𝐥𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬!

 

Título principal: “2ª Oficina Anticapacitista no Digital” Logo abaixo, em destaque dentro de uma faixa roxa: “Fortalecendo Mulheres”  🔹 Informações do evento:  Data: 15 de novembro  Horário: das 17h às 19h  Local: Clube do Comércio Endereço: R. dos Andradas, 1085, 3º andar – Praça da Alfândega, Centro Histórico  Os ícones de calendário e localização acompanham as informações, tornando a leitura visualmente acessível.  Rodapé com logotipos de organizações envolvidas:  Realização: INCLUSIVASS  Apoio: ELAS+ (doar para transformar)  Parcerias:  Feminino Plural  Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos  Querela  Centro de Referência Professora Lisiane Lopes  Associação Gaúcha de Profissionais de Acessibilidade e Inclusão (AGPAI)  Taga Relas  Coletivo Feminista Helen Keller  Ong Balaio das Andas  Elizete Martins

𝟐𝐚 𝐎𝐟𝐢𝐜𝐢𝐧𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐧𝐨 𝐃𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐥 – 𝐅𝐨𝐫𝐭𝐚𝐥𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬!

No dia 15 de novembro, o movimento Inclusivass convida todas para mais um encontro potente dentro da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Vamos falar sobre segurança digital, tipos de violência digital de gênero e continuidade da oficina de bordado.
📅 Data: 15/11
🕕 Horário: 17h às 19h
📍 Local: Clube do Comércio – R. dos Andradas, 1085, 3º andar, Praça da Alfândega – Centro Histórico
Realização: Inclusivass
Apoio: Fundo Elas+
Parcerias: Coletivo Feminino Plural, Themis, Querela Jornalista Feminista, Taga Relas, Coletivo Helen Keller, Ong Ester Mulher, Centro de Referência Profª Lisiane Lopes e Consultoria em Beleza Elizete Martins
𝐏𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐟𝐨𝐫𝐭𝐚𝐥𝐞𝐜𝐞𝐫 𝐦𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬 𝐞́ 𝐭𝐞𝐜𝐞𝐫 𝐫𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬!

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

 

Movimento feminista lança guia anticapacitista na Feira do Livro”  📅 Data e horário da publicação: 6 de novembro de 2025 – 16h54  📍 Seção: Cultura  📝 Subtítulo: “Material traz orientações sobre práticas digitais inclusivas, linguagem acessível e estratégias de autocuidado e segurança digital.”  📧 Créditos: Sul21 — sul21@sul21.com.br  Abaixo do texto, há uma fotografia de grupo, mostrando várias pessoas sorrindo, reunidas em um ambiente interno, provavelmente no evento de lançamento do guia mencionado. Ao fundo, vê-se um banner com o logotipo da Câmara do Livro, indicando a conexão com a Feira do Livro de Porto Alegre.

𝐄𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐧𝐨 𝐉𝐨𝐫𝐧𝐚𝐥 𝐒𝐮𝐥𝟐𝟏!

Ontem tivemos a divulgação do lançamento do Guia Anticapacitista de Boas Práticas Digitais no Jornal Sul21.
O guia será lançado oficialmente no dia 15/11 na Feira do Livro de Porto Alegre.
O Guia também traz, na sua construção, reflexões sobre como a mídia pode ser anticapacitista, fortalecendo práticas de comunicação mais inclusivas e acessíveis.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

𝐌𝐄𝐍𝐈𝐍𝐀 𝐍𝐀̃𝐎 𝐄́ 𝐌𝐀̃𝐄. 𝐄𝐒𝐓𝐔𝐏𝐑𝐀𝐃𝐎𝐑 𝐍𝐀̃𝐎 𝐄́ 𝐏𝐀𝐈.

Card Roxo escuro, com textura levemente envelhecida.  Texto principal (em destaque): “CRIANÇA NÃO É MÃE, ESTUPRADOR NÃO É PAI”  As palavras “CRIANÇA” e “NÃO É MÃE” estão em verde, enquanto “ESTUPRADOR NÃO É PAI” aparece em bege claro, com uma tipografia forte e de impacto.   Ilustração: No canto inferior esquerdo, há o desenho de uma criança negra em uma cadeira de rodas, com camiseta verde e shorts escuros. A criança segura uma flor amarela em uma das mãos e cobre o rosto com a outra, em um gesto de tristeza.   Logotipos e créditos: No canto inferior direito, aparecem os logotipos das organizações:  INCLUSIVASS (movimento feminista anticapacitista)  ELAS+ (doar para transformar)  Texto adicional: Abaixo, o arroba @inclusivassfeminista, indicando o perfil da iniciativa nas redes sociais.


O Movimento Feminista Inclusivass se posiciona com firmeza contra o retrocesso aprovado pela Câmara dos Deputados.

Aprovou-se um projeto que suspende a regulamentação do aborto legal para meninas vítimas de estupro, um direito garantido há mais de 80 anos no Brasil.
O PDL também revoga uma norma do Conanda que apenas organizava políticas públicas de proteção e proíbe campanhas contra o casamento infantil.
Isso não é sobre burocracia. É sobre POLÍTICA de controle dos corpos das mulheres e meninas, especialmente as mais vulnerabilizadas.
Num país onde mais de 34 mil meninas menores de 14 anos estão em uniões conjugais, o retrocesso revela a face mais cruel de uma política que naturaliza a violência sexual e institucional.
As mulheres e meninas com deficiência são ainda mais expostas a esse tipo de violência.
Segundo estudos do Ministério dos Direitos Humanos, mulheres com deficiência têm de 2 a 3 vezes mais chances de sofrer abuso sexual.
A maioria dos casos ocorre dentro de casa, por pessoas conhecidas ou responsáveis por seus cuidados e a subnotificação é altíssima devido à falta de acessibilidade, escuta qualificada e acolhimento seguro.
Por isso, reafirmamos:
- Meninas e mulheres com deficiência precisam de proteção, não de punição.
- O Estado deve garantir acesso, acolhimento e políticas públicas inclusivas.
- A luta feminista é também anticapacitista e pelos direitos reprodutivos.
Respeitem nossos corpos, nossas vozes e nossos direitos.

Movimento Feminista Inclusivass

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Carta ao Presidente da COP30 – Políticas Públicas, Inclusão das Mulheres, Interseccionalidade e Deficiência

 

Card em degrade lilás e verde. Na  parte superior“CARTA Mulheres com deficiência ao presidente André Corrêa do Lago”  O fundo é uma fotografia de uma floresta verde, com tons de roxo e verde sobrepostos, criando um clima simbólico de natureza e esperança.  Na parte inferior, aparecem os dizeres: “COP30 BRASIL AMAZÔNIA BELÉM 2025” — em letras grandes douradas.  Logo abaixo, há uma ilustração de um grupo de mulheres diversas, incluindo mulheres com deficiência: uma mulher cadeirante, uma mulher com bengala, e outras com diferentes corpos e tons de pele, todas de pé, com o punho erguido, em gesto de força e resistência.

Carta ao Presidente da COP30 – Políticas Públicas, Inclusão das Mulheres, Interseccionalidade e Deficiência

Movimento Feminista Inclusivass

Senhor Presidente André,

O Movimento Feminista Inclusivass, que atua há 11 anos na defesa dos direitos das mulheres com deficiência no Brasil, vem por meio desta carta contribuir para o debate sobre políticas públicas inclusivas no contexto da COP30.

As mulheres com deficiência enfrentam múltiplas barreiras no país: uma discriminação duplamente cruzada (gênero + deficiência), exclusão de oportunidades de trabalho, menor renda média, invisibilidade política e social. Nos desastres climáticos e emergências ambientais, essas desigualdades se agravam — abrigos não acessíveis, ausência de protocolos específicos e informações inacessíveis (para pessoas com deficiência visual, auditiva ou intelectual) aumentam o risco e a exclusão.

Além disso, há uma falta de dados e indicadores que cruzem deficiência e gênero. Os sistemas de monitoramento climático raramente captam os impactos diferenciados sobre mulheres com deficiência — por deficiência, localização, raça ou classe social — o que impede políticas eficazes. Muitos impactos permanecem invisíveis porque não há registro nem reconhecimento da deficiência nos boletins e nas comunicações oficiais.

Também persistem barreiras estruturais, como o capacitismo, o estigma social e a falta de acessibilidade nos espaços de decisão e execução de políticas públicas. A infraestrutura, o transporte, a comunicação e a assistência em saúde, ainda excludentes, tornam o enfrentamento da crise climática ainda mais pesado para essas mulheres.

Diante desse cenário, propomos que a presidência da COP30 priorize as seguintes ações e soluções inclusivas, especialmente com base na realidade do Pampa e das mulheres com deficiência que nele vivem:

1. Protocolos de emergência com acessibilidade inclusiva

  • Aprovar e implementar lei (como o PL 1274/2024) que obrigue a Defesa Civil a incluir protocolos específicos para pessoas com deficiência em situações de emergência e desastres, com abrigos acessíveis, apoio assistivo e comunicação em formatos acessíveis.

  • Criar uma Central do Direito à Acessibilidade Climática, com formação contínua de equipes de resposta (Defesa Civil, saúde, segurança) em perspectiva de gênero e deficiência.

2. Integração de gênero + deficiência nas políticas climáticas

  • Incluir mulheres com deficiência explicitamente nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos Planos Nacionais de Adaptação.

  • Garantir que ações de mitigação (como agroecologia e agricultura sustentável) considerem a acessibilidade e o protagonismo das mulheres com deficiência.

3. Fortalecimento da agricultura familiar sustentável e inclusiva

  • Apoio técnico e financeiro para práticas agroecológicas acessíveis, que fortaleçam a autonomia das mulheres com deficiência no Pampa.

  • Proteger ecossistemas e territórios tradicionais, com licenciamento ambiental rigoroso e fiscalização participativa.

4. Empoderamento socioeconômico e participação política

  • Criar programas de geração de renda e inclusão digital para mulheres com deficiência no meio rural, garantindo acesso a crédito, capacitação e tecnologias assistivas.

  • Assegurar representação nos espaços de decisão climática locais, regionais e nacionais.

5. Produção e uso de dados desagregados

  • Incluir dados desagregados por gênero, deficiência, raça e território nos sistemas de monitoramento climático e social.

  • Realizar pesquisas regionais no Pampa para mapear a presença e as necessidades das mulheres com deficiência em comunidades rurais e tradicionais.

6. Comunicação e educação inclusiva

  • Produzir materiais acessíveis sobre prevenção de riscos e mudanças climáticas (em Libras, braile, áudio e linguagem simples).

  • Promover campanhas anticapacitistas e de conscientização sobre a interseccionalidade entre deficiência e clima.

7. Financiamento climático inclusivo

  • Destinar recursos específicos de fundos climáticos nacionais e internacionais para ações lideradas por mulheres com deficiência.

  • Facilitar acesso a microcrédito, seguros agrícolas adaptados e tecnologias acessíveis.

8. Legislação e direitos humanos como base

  • Garantir que a Lei Brasileira de Inclusão e as convenções internacionais sobre os direitos das pessoas com deficiência orientem as políticas climáticas.

  • Assegurar a proteção dos territórios indígenas e tradicionais do Pampa, reconhecendo também as mulheres com deficiência que vivem nesses espaços.

As propostas do Movimento Feminista Inclusivass foram encaminhadas à Presidência da COP30, com o compromisso de fortalecer uma agenda verdadeiramente inclusiva, interseccional e feminista, que reconheça o papel das mulheres com deficiência na defesa do meio ambiente e da justiça climática.

Com respeito e esperança,

Movimento Feminista Inclusivass
11 anos de luta pela visibilidade e pelos direitos das mulheres com deficiência no Brasil.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

𝗖𝗔𝗣𝗔𝗖𝗧𝗜𝗦𝗠𝗢 𝗣𝗢𝗟Í𝗧𝗜𝗖𝗢

A imagem mostra uma ilustração em estilo de desenho a preto e branco com o texto “CAPACITISMO POLÍTICO” no topo. No centro, há uma figura masculina de gravata sentada atrás de uma mesa com microfone, cobrindo os olhos com as mãos, como se estivesse a recusar ver algo. Ao fundo e de cada lado, estão duas figuras femininas de expressão neutra. No fundo também se vê um desenho de um edifício governamental com uma bandeira e alguns ícones de pessoas, sugerindo um contexto político ou institucional.  A composição transmite a ideia de cegueira ou negação por parte de alguém em posição de poder, associada ao tema do capacitismo na esfera política.


Segundo o Censo de 2010 o último que considerou obrigatoriamente o mapeamento de pessoas com deficiência cerca de 23,9% da população brasileira, o equivalente a aproximadamente 45,6 milhões de pessoas, foram identificadas com algum tipo de deficiência. Desse total, 25,8 milhões são mulheres. Ainda assim, o Brasil segue se baseando em dados defasados para definir políticas públicas essenciais. O Censo mais recente, infelizmente, deixou de incluir essa informação como obrigatória, invisibilizando milhões de brasileiros com deficiência diante do Estado.


Pesquisas e relatos demonstram que mulheres com deficiência enfrentam diariamente a exclusão de direitos básicos. Estamos longe de ocupar espaços de poder e decisão, tanto na política institucional quanto nos movimentos feministas e anticapacitistas. Seguimos invisibilizadas, mesmo sendo diretamente impactadas por decisões que nos ignoram.

O que vimos recentemente na mídia, com parlamentares tapando os olhos, ouvidos e bocas como gesto simbólico, é mais um episódio preocupante. Essa encenação reforça estereótipos negativos sobre a deficiência, associando-a ainda que indiretamente à ignorância, à omissão ou ao silêncio. Esse tipo de atitude, mesmo quando politicamente motivada, alimenta o capacitismo político.

Enquanto isso, o trabalho legislativo é paralisado por disputas de poder entre famílias políticas. O povo, especialmente os grupos mais vulneráveis, continua à espera de projetos concretos voltados à inclusão, acessibilidade, saúde, renda, educação e dignidade. Vale lembrar que a maioria das pessoas com deficiência ou suas famílias vivem com até dois salários mínimos e agora enfrentam a ameaça de perder a isenção do imposto de renda, um dos poucos benefícios garantidos por lei.

É urgente que paremos de usar a deficiência como metáfora e comecemos a escutar, incluir e representar essas pessoas nos espaços onde se decide o futuro do país.
Nada sobre nós sem nós.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Lançamento Projeto " Tecendo Redes Inclusivas Anticapacitistaw

A imagem possui fundo branco com detalhes em degradê azul na parte inferior e pequenos círculos azuis no canto superior direito e inferior esquerdo.  No centro, há o logotipo com figuras estilizadas em azul formando um círculo, cada uma com um ícone relacionado à deficiência (como surdez, deficiência visual, cadeira de rodas e tecnologia assistiva) dentro de círculos roxos e azuis. Na base da figura central, há um pequeno triângulo com as cores da bandeira LGBTQIA+ progressista.  Abaixo do logotipo, está o texto: TECENDO (em letras maiúsculas azul-escuro) REDES INCLUSIVAS (em letras maiúsculas menores, azul-escuro) ANTICAPACITISTA (em letras maiúsculas, cada sílaba com uma cor diferente: lilás, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho).  No canto inferior direito, há a ilustração de uma mulher negra com cabelo crespo solto, usando óculos escuros, jaqueta preta, blusa amarela e calça azul. Ela segura uma bengala longa branca na mão esquerda e, na mão direita, um cartão azul com o símbolo internacional de acessibilidade (cadeira de rodas) em branco.  No canto inferior central, aparecem dois logotipos:  INCLUSIVASS: formado por borboletas coloridas agrupadas em forma de símbolo feminino.  elas+ com o texto “doar para transformar” abaixo e duas flores vermelhas acima.  No canto superior esquerdo, há várias borboletas coloridas espalhadas.


É 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐥𝐞𝐠𝐫𝐢𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐥𝐚𝐧ç𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐡𝐨𝐣𝐞 𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐣𝐞𝐭𝐨 “𝐓𝐞𝐜𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐑𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐈𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐢𝐯𝐚𝐬 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬”, 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐩𝐨𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐅𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐄𝐥𝐚𝐬+!

Uma iniciativa do 𝐌𝐨𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐅𝐞𝐦𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐈𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐢𝐯𝐚𝐬𝐬, que surge da urgência de combater as 𝐯𝐢𝐨𝐥ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐢𝐬, 𝐨 𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐞 𝐚 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐬ã𝐨
que ainda marcam a experiência de mulheres com deficiência nos espaços online.

O projeto propõe a criação do 𝐆𝐮𝐢𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐁𝐨𝐚𝐬 𝐏𝐫á𝐭𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐃𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐢𝐬, voltado à promoção de uma cultura digital que seja anticapacitista, ética, acessível, segura e realmente para todas e todes.

A estratégia de ação inclui:
- Oficinas virtuais com participação ativa de mulheres com deficiência;
- Campanhas de conscientização nas redes, para ampliar o debate sobre capacitismo e violência digital.
-Live
𝐂𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐞 𝐯𝐢𝐨𝐥ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐢𝐠𝐢𝐭𝐚𝐥 são formas de controle dos nossos corpos, da nossa fala e da nossa existência.
Este projeto é também um grito de liberdade e de reconstrução do digital como espaço de expressão, autonomia e resistência.

A coordenação é do Movimento Feminista Inclusivass, que há anos atua por visibilidade, escuta e políticas públicas para mulheres com deficiência.
Nosso compromisso é com a vida, com os direitos humanos e com um futuro onde a inclusão não seja exceção, mas regra.

📲 Nos acompanhe nas redes sociais e fortaleça com a gente essa construção coletiva.
Vamos tecer juntas um digital anticapacitista!