sexta-feira, 27 de maio de 2016

Manifesto do Grupo Inclusivass contra a cultura do estupro

                                   
Descrição: sobre fundo preto, uma mancha ovalada em azul com um desenho de uma mulher de joelhos, nua, com a mão direita no rosto e a esquerda entre as pernas. Ao lado, a frase: Estrupo (em letras vermelhas) é CRIME! A culpa (em letras brancas) NUNCA (em vermelho) é da vítima! (em branco)

Nós, mulheres do Grupo Inclusivass, viemos por meio deste manifesto prestar nossa solidariedade e apoio à vítima do estupro coletivo ocorrido na última quarta-feira. Circulou nas redes sociais no dia seguinte um vídeo que mostrava a vítima desacordada. 

Esta jovem foi estuprada por mais de 30 homens e teve seu corpo violado e exposto publicamente.

Repudiamos qualquer tipo de violência de contra as mulheres e não aceitamos que este e outros tantos casos de estupro sejam tratados com naturalidade e objetivação ao corpo da mulher, vivemos em uma sociedade que culpabiliza e descredibiliza a vitima e o que estamos vendo é um advogado culpar esta jovem e a constranger com perguntas inadequadas, não podemos esquecer que esta jovem foi vitima de uma barbárie e precisa ter seus culpados responsabilizados por tal crime que é considerado pela justiça um crime hediondo e que feri todos os direitos das mulheres.

Nós defendemos seu direito de acesso à Justiça com imparcialidade e humanidade, dando a ela o direito de ser atendida por uma delegada e não permitindo que ela sofra mais nenhuma violência.

Não aceitamos que a cultura do estupro permaneça em propagandas, pornografias, piadas, novelas, filmes, cantadas nas ruas, passada de mão. Todas estas práticas partem da desigualdade entre gêneros onde nós, mulheres, temos nossos direitos violados por agressores diariamente pelo fato de sermos mulheres.

Quantas vitimas ainda terão que sofrer em silêncio e quantas sequer têm condições físicas de denunciarem os seus agressores?

Precisamos ter o direito de usar saia curta, andar sozinhas na rua, ter uma vida ativa ou não sexualmente, precisamos ter o direito de liberdade e não vivermos aprisionada ao machismo de todos os dias que mata, fere e violenta.

Estamos vivendo tempos difíceis, onde estamos retrocedendo em nossos nossos direitos, e esta violência nos mostra isso. Mas permaneceremos em luta.

                                   Não à  cultura do estupro, à violência, ao sexismo e à misoginia.

"Sejamos livres e detentoras de nossos direitos."

TODAS SÃO TODAS


Grupo Inclusivass

domingo, 22 de maio de 2016

Adesão à Nota em Defesa da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência

Nós, mulheres com deficiência do Grupo Inclusivass, assinamos e apoiamos esta nota de defesa da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência e da Secretária Especial de Políticas para as Mulheres. Não podemos permitir que  nossos direitos sejam violados com a extinção destas duas secretarias tão importantes para a sociedade. 

Estamos atentas e na luta pelos nossos direitos.



NOTA DE ADESÃO



Nós, pessoas com deficiência, familiares, representantes de entidades civis, profissionais da área e militantes do movimento da pessoa com deficiência do Estado do Rio Grande do Sul, abaixo nomeados, manifestamos nosso repúdio pela extinção da Secretaria Especial de Políticas de Mulheres, Promoção de Igualdade Racial e Direitos Humanos e exigimos o retorno da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD). 


Com a Medida Provisória nº 726, editada pelo Presidente da República interino, Michel Temer, a política dos Direitos Humanos, implementada no Brasil nas últimas duas décadas, sofreu uma profunda ruptura. A retirada do status ministerial da Secretaria Especial de Políticas de Mulheres, Promoção de Igualdade Racial e Direitos Humanos representa o retrocesso nas conquistas dos segmentos mais vulneráveis e excluídos de nossa sociedade. 

Em relação às pessoas com deficiência, ao não prever na estrutura do novo Ministério da Justiça e Cidadania a continuidade da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD), o governo interino decreta que 45 milhões de mulheres e homens com deficiência voltarão à invisibilidade. Numa pasta que englobou a pauta de dois ministérios, perderemos a prioridade necessária para a continuidade e articulação de políticas públicas voltadas ao segmento.

Ao longo da história fomos colocados à margem da cidadania, sem acesso a direitos básicos como saúde, educação, trabalho e cultura, por exemplo. Apesar dos avanços produzidos pelo governo federal nos últimos anos, reconhecidos inclusive internacionalmente, sem a SNPD essas conquistas, que ainda necessitam de implementação para a inclusão consistente das pessoas com deficiência em igualdade de oportunidades, estão profundamente ameaçadas. 

Às políticas e direitos conquistados como a ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o Programa Viver sem Limites e a Lei Brasileira de Inclusão - Estatuto da Pessoa com Deficiência são conquistas que necessitam do protagonismo das pessoas com deficiência e da existência de um órgão específico, no Estado, destinado a promovê-los. A extinção da SNPD representa a ausência de políticas públicas efetivas, baseadas nos princípios dos Direitos Humanos.

Lembramos que o Brasil é signatário do Pacto de San José da Costa Rica (promulgado através do Decreto nº 678 de 1992) e que esse Tratado consagrou o princípio do não retrocesso dos direitos humanos. Sobre o assunto, a Corte Interamericana de Direitos Humanos já decidiu que o princípio do não retrocesso deve ser respeitado pelos países signatários do Pacto de San José e submissos à Corte Internacional. 

Nesse cenário, onde pactos internacionais são desrespeitados e a diversidade não é reconhecida, entendemos que a descontinuidade da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência representa a não garantia de direitos e o nosso retorno à exclusão social.



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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Manifesto do Grupo Inclusivass sobre declaração do presidente do SIMERS

Imagem retangular com cor vermelha e a palavra MANIFESTO NA COR BRANCA


Nós, mulheres com deficiência do Grupo Inclusivass, viemos através desse manifesto exigir a retratação do presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), Paulo de Argollo Mendes, devido a declarações discriminatórias ao Jornal Diário Gaúcho em 29 de março de 2016 (Clique AQUI para acessar a reportagem do Diário Gaúcho).

Na referida entrevista, ao se referir à mãe de uma criança de um ano e um mês que teve o atendimento médico do seu filho negado por ser militante do PT, o presidente da entidade disse: “Essa moça é até vereadora, ou suplente de vereadora, não é uma analfabeta ou uma pessoa com deficiência. São dois adultos inteligentes e aptos”. Ou seja, de acordo com a entidade, pessoas com deficiência são incapazes, ignorantes e não merecem ter suas vozes validadas.

É inadmissível que o presidente dessa instituição, em pleno 2016, se refira às pessoas com deficiência de maneira criminosa. Reforçamos que a Lei Brasileira de Inclusão, fundamentada na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, traz no Art. 88 que praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência por intermédio de meios de comunicação social pode gerar, inclusive, reclusão de dois a cinco anos. De acordo com a mesma lei, “considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência”.

É importante enfrentarmos a manifestação feita com a seriedade e a gravidade que possui!


Nós, mulheres com deficiência, somos vítimas constantes de profissionais da classe médica que reproduzem impunemente sua ignorância acadêmica em consultórios. Não são raros os casos em que terceirizam as informações referentes à nossa saúde, se referindo apenas aos nossos acompanhantes ou se limitando de forma monossilábica a repassar informações, como se nossos corpos não nos pertencessem.

O exercício da maternidade, outro exemplo, é negada e/ou criticada por muitos médicos, como se nosso direito reprodutivo ficasse a seu critério e não fosse um direito humano fundamental. Não aceitamos que nossas escolhas pela continuidade da gestação continuem a ser questionadas, que a amamentação continuada seja desencorajada, que a escolha pela via de parto nos seja arrancada e que continuemos a sofrer com a violência obstétrica.


Levantamos também o caso do reconhecimento da deficiência psicossocial, que atinge grande número de mulheres. É inadmissível, por exemplo, que ao exercer nosso direito ao trabalho, nos deparemos com médicos descomprometidos com sua profissão, que vomitam preconceitos e se negam a reconhecer os prejuízos inegáveis de diversos transtornos psiquiátricos em uma sociedade, machista, misógina e preconceituosa.


Nós, que escrevemos esse manifesto, somos exemplos vivos de cada crime citado acima.

Nós, mulheres com deficiência, não aceitamos a continuidade desses absurdos e avisamos: temos voz e somos capazes, senhor presidente!


Só nos resta saber, o SIMERS é capaz de reconhecer o mal que provoca com suas declarações? O Sindicato está disposto a trabalhar com sua categoria para que todas as violências citadas, cometidas diariamente, sessem?

Exigimos respostas!

Gestores ainda têm resistência em contratar PCDs


Especialistas em recursos humanos dizem que muitas empresas contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a Lei de CotasArquivo/Agencia Brasil


Ao serem apresentados a um candidato com deficiência para uma vaga de emprego, 67% dos gestores e empresários ainda têm resistência em entrevistá-lo e/ou contratá-lo, segundo pesquisa feita com profissionais de recursos humanos (RH). Segundo os dados, apenas 33% dos gestores não tem resistência e contratam o candidato se ele estiver dentro do perfil da vaga.

A segunda edição da pesquisa Expectativas e Percepções sobre a Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho foi feita em 2015 pela i.Social, consultoria com foco na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, em parceria com a Catho e com apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil). No total, 1.519 profissionais de RH responderam à pesquisa.

A diretora de Diversidade da ABRH Brasil, Georgete Lemos, disse que fica visível a questão de valores muitas vezes enraizados de não reconhecer a capacidade das pessoas com deficiência. “O RH tem que ajudar as empresas a realinhar suas ações aos valores que estão sendo adotados pela sociedade. Existe a lei [Lei de Cotas], existe a intenção, mas não existe a atitude compatível. Essa equação é fácil de ser resolvida, tem que ser trabalhado o enraizamento de valores na organização como um todo, começando pelos gestores e se estendendo à totalidade do corpo de funcionários”, disse.

Um dos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência que são candidatas a uma vaga no mercado de trabalho é a abordagem de alguns recrutadores. O cadeirante Joewilson de Souza, 40 anos, de Juazeiro do Norte (BA), contou que já se sentiu desprezado em uma entrevista de emprego.

“Eu recebi encaminhamento para uma entrevista e a pessoa designada para receber os currículos conversou comigo, mas não olhou nos meus olhos. Ele pegou meu currículo e virou as costas, quando percebeu que eu tinha curso superior, ficou surpreso e voltou”, lembrou Souza. “Eu disse que não tinha como esperar o entrevistador, eu queria a vaga, mas não quero mais. Disse: "essa empresa não merece uma pessoa com deficiência qualificada, vocês precisam rever seus conceitos"”, contou.

Joewilson Souza é assistente social e diz que os recrutadores precisam ser mais bem preparados. “Fala-se muito acerca da humanização, mas a realidade é que isso ainda continua sendo um mito no mercado de trabalho. É necessário ser gente para lidar com gente, a capacitação precisa ser permanente porque pessoas com deficiência estão aí o tempo inteiro. É preciso ser humano e ser altruísta e valorizar o outro. O ser humano ainda é a coisa mais importante desse mundo”, disse.

A também assistente social Zenira Rebouças mora em Salvador e reclama de dificuldades de acessibilidade na hora buscar uma vaga no mercado de trabalho. Ela é cadeirante e contou que participou de um evento de recrutamento de pessoas com deficiência, mas que o espaço não estava preparado para receber aquele público. “Ele não estava acessível para atender às pessoas, não tinha banheiro adaptado e isso em uma seleção só para pessoas com deficiência”, relatou.

Cumprimento da lei

A Lei de Cotas prevê que toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar de 2% a 5% (dependendo do total de empregados) dos postos de trabalho a pessoas com alguma deficiência.

Segundo Georgete Lemos, é grande o percentual de empresas que contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a lei, 86%. Apenas 2% contratam porque valorizam a diversidade; 3% porque acreditam no potencial dessas pessoas; e 9% têm interesse no perfil do candidato, independentemente de cota ou deficiência.

Outro dado apontado na pesquisa diz que 60% dos profissionais de RH acreditam que as pessoas com deficiências sofrem preconceito no ambiente de trabalho, seja por colegas, gestores ou clientes. “A empresa que contrata cumpre a lei, mas as pessoas com deficiência não são aceitas internamente pelas pessoas. É preciso uma sensibilização com relação às atitudes das pessoas”, ressaltou Georgete.

Para a diretora, é necessário identificar as dificuldades das pessoas em relação ao outro e atuar em cima disso, seja capacitando as pessoas com deficiência ou conscientizando o corpo funcional e gestor das empresas. “Quem discrimina discrimina tudo e todos, uns mais outros menos. Não só pessoas com deficiência, mas mulheres na alta direção, por exemplo, ou com atribuições de menores salários. Histórias de preconceito e discriminação podem e devem ser evitadas no trabalho através do exemplo. Em uma organização que tenha líderes conscientes, a equipe reproduz esse comportamento”, destacou.

Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil existem 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,92% da população brasileira.

A diretora administrativa da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV), Adriana Lourenço das Candeias, disse que o problema é a falta de informação e socialização dos gestores. “Eles têm que saber o que o deficiente realmente é capaz de fazer. Muitas vezes só contratam para cumprir a lei e não têm noção do que é uma deficiência, seus limites, dificuldades e capacidades. Com mais informação, contratariam com mais segurança e consciência."

Incentivos às empresas

Para a diretora da ABRH Brasil, os profissionais de RH precisam ajudar os gestores a rever seus valores, mostrando, inclusive, o impacto que a contratação de pessoas com deficiência pode ter na imagem da organização. “Falta sensibilizar mais e mais as empresas para que elas possam perceber que serão beneficiadas, inclusive com uma imagem de boa empregadora. Isso tem impacto no mercado. Os clientes têm interesse em ter um relacionamento com empresas socialmente responsáveis, então isso também trará um retorno financeiro”, disse Georgete Lemos.

Além da conscientização do setor empresarial, para Geogete, é importante que o governo fiscalize as empresas no cumprimento da Lei de Cotas e crie outras formas de incentivo na contratação de pessoas com deficiência.

Ela destaca a Lei Brasileira de Inclusão – Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em 2015, que incluiu, por exemplo, como critério de desempate em licitações públicas o fato de a empresa ter um programa de inclusão de pessoas com deficiência. A nova legislação garante condições de acesso à educação e à saúde e estabelece punições para atitudes discriminatórias contra essa parcela da população.

Formação dos profissionais de RH

A diretora da ABRH Brasil reforçou que a equipe de RH também deve ser instigada a manter-se atualizada. Segundo a pesquisa, 35% desses profissionais nunca entrevistaram pessoas com deficiência e apenas 12% disseram se sentir totalmente capazes para realizar seu recrutamento e seleção.

“Nós precisamos conversar mais com os estabelecimentos de ensino, eles não estão preparando esses profissionais para a realidade. Principalmente as faculdades de administração que não têm espaço para falar de diversidade, geralmente apenas em atividades de apoio. Também não temos cursos de aperfeiçoamento sobre diversidade. As pessoas se aperfeiçoam por autodesenvolvimento ou acompanhando o trabalho de ONGs”, disse.

Ela contou que a ABRH Brasil também faz um trabalho de enraizamento de valores junto aos profissionais nas seccionais da associação pelo país.

As pesquisas de 2014 e 2015 sobre as percepções de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho estão disponíveis na página da i.Social na internet.
Edição: Juliana Andrade
Agência Brasil

Equidade de gênero no mercado de trabalho vai demorar 80 anos, indica estudo



Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

Apesar do aumento de mulheres no mercado de trabalho nas últimas décadas, a equidade com os homens pode levar até 80 anos, segundo o Relatório Global de Equidade de Gênero, do Fórum Econômico Mundial. Para tentar diminuir esse tempo, equivalente a uma geração, pesquisa feita com líderes de 400 empresas ao redor do mundo indicou que três medidas prioritárias podem ser tomadas. Todas relacionadas ao engajamento da corporação na estratégia.

As medidas constam do estudo Women Fast Forward, feito pela consultoria Ernst & Young (EY) e apresentado hoje (9) no Rio de Janeiro. O trabalho indica como prioridade: “Iluminar o caminho para a liderança feminina, acelerar a mudança na cultura empresarial com políticas corporativas progressistas e construir um ambiente de apoio”, alicerçado no combate ao preconceito “consciente e inconsciente”, para aumentar o ritmo das empresas rumo à equidade.

De acordo com Tatiana da Ponte, sócia de Impostos da EY no Brasil, uma das principais vantagens da paridade é o ganho financeiro. Entre as empresas pesquisadas, 64% daquelas com melhores resultados econômicos encorajam suas funcionárias. Isso se deve, segundo ela, ao aumento da participação na tomada de decisões e favorece a visão global.

“Não é porque isso [a visão global] é mais da mulher ou do homem. É porque o aumento da participação gera diversidade. São opiniões diferentes subsidiando as decisões”, explicou.

Para desenvolver as estratégias, Tatiana esclareceu que é preciso definir oportunidades de progresso na carreira e dar exemplos. “Não adianta defender a diversidade e não ter mulheres nos conselhos, na direção”, disse. “As funcionárias precisam se ver nesses cargos para acreditar que dá para chegar lá”, completou. Outra medida, segundo ela, é a flexibilidade na carga horária, adotando prazos mais longos, por exemplo, para licença maternidade ou paternidade.

“Estamos caminhando para um momento em que não só a mulher tem que achar espaço no mercado de trabalho, o homem também tem que achar um espaço na família. Quando a divisão de tarefas for mais igual para os dois lados, todo mundo ganhará, principalmente, os filhos. A presença mais atuante do pai na formação dos filhos nos dá crianças mais fortes”, afirmou.

Outra pesquisa sobre a participação de mulheres no mercado de trabalho da EY apresentada hoje descobriu que a vivência no esporte pode ajudar nos negócios. Com base em 400 entrevistas, a consultoria identificou que, na hora de tomar decisões importantes, aquelas mulheres que foram atletas são mais determinadas, guiadas por valores éticos e pelo espírito de equipe.

“O esporte ensina habilidades de liderança intangíveis que não podem ser ensinados na escola”, disse Beth Brooke-Marciniak, vice-presidente de Políticas Públicas da EY e ex-atleta de basquete.

No Brasil, a ex-nadadora Fabíola Molina, com três medalhas olímpicas, que foi acompanhada por projeto de incentivo à presença de mulheres atletas no mundo dos negócios, confirma a tese. Desde 2013 ela dirige a própria empresa, de roupas de natação e moda praia, e afirma que o espírito de superação e a imposição de objetivos é fundamental para bater metas.

“Aprendi com o esporte, por exemplo que eu aplico na empresa, é a questão da perseverança, não desistir diante das dificuldades, porque no mundo corporativo, assim como no esporte têm muita”, contou Fabíola. “É preciso acredita no caminho e no seu potencial”, declarou.

Outras habilidades que são desenvolvidas pelo esporte são a capacidade de visão de longo prazo e de montar e manter as equipes motivadas, segundo as próprias entrevistadas.
Edição: Aécio Amado
Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/

sábado, 9 de abril de 2016

II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica acontece de 11 a 13 de abril

A imagem mostra várias mulheres com o braço erguido pra frente.
11-13 Abril.
II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica.


A coordenadora do Coletivo Feminino Plural Telia Negrão e Carolina Santos que é coordenadora do Grupo Inclusiivass estarão participando deste encontro reafirmando o diálogo sobre violência contra as mulheres.

O Instituto Avon e o ELAS Fundo de Investimento Social promovem entre os dias 11 e 13 de abril, no Rio de Janeiro, um encontro nacional de organizações dedicadas a desenvolver projetos em resposta à violência doméstica e que terão o apoio do Fundo Fale Sem Medo. Dos 658 projetos recebidos no último edital público, foram selecionadas 33 propostas de 17 estados de todas as regiões do país, que vão receber, ao todo, R$ 2 milhões em doações. 
O II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica é um encontro de fortalecimento para debater as iniciativas apoiadas no edital 2016 do Fundo Fale Sem Medo, trocar informações com especialistas em gênero, direitos humanos e violência doméstica, identificar ações que possam ser fortalecidas e incentivar o trabalho em rede.

Além de trocarem experiências, as organizações passarão por um processo de formação em comunicação e desenvolvimento de ações conjuntas, num amplo diálogo com jornalistas, publicitários, defensores públicos, representantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e especialistas no tema da violência doméstica. 

A participação presencial no evento é restrita às organizações apoiadas pelo Fundo Fale Sem Medo, mas haverá transmissão ao vivo pela internet para que todas e todos possam assistir aos debates.

“Para o Fundo ELAS, este evento é um momento único e estratégico da luta democrática pelo direito das mulheres a uma vida sem violência, fruto do excelente trabalho que os movimentos de mulheres negras e de feministas têm realizado nos últimos 30 anos e do engajamento e compromisso do Instituto Avon com o fim da violência doméstica no Brasil, iniciativa que conquistou alianças importantes no Poder Legislativo, Judiciário, Executivo e com organismos internacionais multilaterais”, diz KK Verdade, coordenadora executiva do Fundo ELAS.

Programação 

Serão 3 dias intensos de atividades. Logo no primeiro dia, após a abertura e a apresentação do edital 2016 do Fundo Fale Sem Medo, a mesa “Diálogos sobre Violência Doméstica e Desafios ao Marco Legal” vai reunir Nilcéa Freire (Fundação Ford), Jacira Melo (Agência Patricia Galvão), Teresa Cabral (Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo), Vilma Reis (Defensoria Pública do Estado da Bahia), Jackeline Romio (Dossiê Mulheres Negras e Violência Doméstica), Marcia Thereza Couto (Faculdade de Medicina da USP) e Adriana Ramos de Mello (Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher). Nesse mesmo dia, 11 de abril, as representantes dos grupos apoiados também vão apresentar os seus projetos.

O segundo dia de atividades terá dois temas centrais: comunicação e desenvolvimento institucional das organizações de mulheres. Se a internet tem se consolidado como um espaço de formação e mobilização política, ela também tem sido terreno fértil para reprodução de opressões contra as mulheres – com a pornografia de vingança e o cyberbullying, por exemplo. Esse será o tema do Diálogo “Mulheres e internet: conquistas e novas formas de violência”, que contará com a participação de Manoela Miklos, responsável pela campanha #AgoraÉqueSãoElas, Luíse Bello do Think Olga, Fernanda Shirakawa do MariaLab e Natalia Neris do InternetLab.

Serão realizadas também duas oficinas de comunicação: “Como contar uma boa história?” e “Mulheres nas telas e em foco”. As facilitadoras da primeira serão Denise Viola (Ecos da Terra, Gênero e Sustentabilidade - Radio MEC), Gizele Martins (Jornal O Cidadão) e Ana Freitas (NEXO Jornal). Na segunda oficina, que discutirá imagens, representatividade e não-violência, estarão presentes as cineastas Yasmin Thayná (Kbela), Amanda Palma (ELEKÔ) e Janaina Oliveira (Re.fem).
Haverá ainda um Diálogo sobre Comunicação, Inovação social e estratégias de engajamento e impacto, facilitado por Diane Lima (#DeixaOCabeloDaMeninaNoMundo), Sandra Sinicco (Grupo CASA) e Ricardo Zagallo (ESPM), além de oficinas de desenvolvimento institucional que abordarão: a importância de indicadores de resultado e avaliação em projetos sociais e, o dialogo entre organizações de mulheres e diferentes financiadores.

O terceiro dia, 13 de abril, começa com provocações sobre a conjuntura política da luta pelo fim da violência doméstica, com a participação de Jurema Werneck (Criola Organização de Mulheres Negras), Djamila Ribeiro (Colunista Boitempo Editorial e Carta Capital), Denise Dora (Defensoria Pública do RS), Flavia Oliveira (GloboNews), Aparecida Gonçalves (Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres), Valeska Zanello (Instituto de Psicologia da UnB e representante do Conselho Federal de Psicologia no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher), Silvia Pimentel (CEDAW- Comitê para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher) e a Senadora Vanessa Grazziotin (Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal).

Na parte da tarde, as representantes dos 33 grupos apoiados se reúnem para desenvolver estratégias conjuntas pelo fim da violência doméstica, estabelecendo uma agenda coletiva de intervenções para 2016. 

O II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica se encerra com o espetáculo Fale Sem Medo, espetáculo multimídia que busca denunciar, através da arte, as agruras da vida de milhares de mulheres vítimas, direta ou indiretamente, dos diversos tipos de violências.

O link para assistir ao vivo pela internet o II Diálogo Nacional sobre Violência Doméstica será disponibilizado na fanpage do Fundo ELAS e na página do evento no Facebook: goo.gl/U7y1BH

Sobre o Fundo Fale Sem Medo

Resultado da parceria entre o Instituto Avon e o ELAS Fundo de Investimento Social, o Fundo Fale Sem Medo apoia, desde 2012, ações de grupos e organizações da sociedade civil que promovem o enfrentamento da violência contra a mulher. A parceria estratégica para a causa une a experiência com as organizações de mulheres que caracteriza o trabalho do Fundo ELAS ao longo de 15 anos e a força de ação e de arrecadação do Instituto Avon, por meio da campanha global “Fale sem medo – não à violência doméstica”, que tem direcionado recursos importantes para a causa nos últimos anos. O Fundo Fale Sem Medo já apoiou 42 projetos e se fortaleceu com os resultados alcançados pelos grupos apoiados.


Fonte:http://www.fundosocialelas.org/

domingo, 3 de abril de 2016

Themis abre inscrições para curso de Promotoras Legais Populares

Themis ( a letra H se destaca em vermelho)
GÊNERO JUSTIÇA
DIREITOS HUMANOS
15º Curso de Promotoras Legais Populares
Na imagem abaixo dos textos vemos a parte dos olhos de uma mulher negra.


O 15º curso de Promotoras Legais Populares (PLPs) da ONG Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, parceira do Fundo ELAS, está com inscrições abertas até 8 de abril. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por jovens e mulheres maiores de 18 anos.

O objetivo do curso, que será desenvolvido na Grande Região Cruzeiro, em Porto Alegre, é capacitar lideranças comunitárias femininas em Direitos Humanos, Direitos das Mulheres, bem como explicar o sistema de organização da Justiça e do Estado. 

A ficha de inscrição está disponível no site da Themis e nas associações comunitárias do bairro Cruzeiro. A ONG ainda realizará um plantão de inscrições no dia 04 de abril, na sala 02 do Postão da Cruzeiro (Posto de Saúde Vila dos Comerciários), das 8h30min às 17h.
A Themos atua na formação de PLPs desde 1993 com o intuito de formar multiplicadoras de Direitos Humanos nas mais diversas comunidades. Seu objetivo é não somente elucidar que todas têm acesso à Justiça, mas que fazem parte desse sistema e que podem atuar dentro dele se souberem as etapas de cada rito.

Ao longo de 22 anos, a Themis já formou cerca de 500 PLPs em 14 edições do curso, as quais atuam em bairros como a Restinga, Morro da Cruz, Centro e cidades como Canoas e Novo Hamburgo.

Como explica a advogada Luana Pereira, uma das coordenadoras do curso de PLP, a escolha da Grande Região Cruzeiro se deve à demanda observada no local. “ Esta localidade abrange os bairros Santa Tereza, Cruzeiro e Medianeira. São cerca de 65 mil pessoas que diariamente são afetadas de algum modo pela ausência efetiva de Direitos Humanos. É preciso que mais mulheres conhecem os seus direitos e multipliquem para outras famílias. Acreditamos que a mudança de cultura pode promover uma sociedade mais justa”, afirma a advogada.

A listagem completa com o nome das inscritas será divulgada no dia 11 de abril no site da Themis.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Março de 2016: mês das mulheres - Agenda do Grupo Inclusivass

Foto do grupo abrindo a Marcha com a participação das ciganas.


Mês de março dedicado as mulheres!

O Grupo Inclusivass criou sua agenda voltada na participação das mulheres com deficiência e o seu empoderamento e reconhecimento.

Apoiou o Dia Internacional da Mulher Unificado, apresentando a agenda para os movimentos de mulheres e, em 8 de março, o grupo esteve presente na Marcha das Mulheres.

O Grupo Inclusivass abriu a Marcha ao lado do Movimento das Ciganas. As integrante do Grupo puderam olhar para o lado e ver que estavam sendo representadas por elas mesmas. Foi uma emoção total para as mulheres com deficiência ver que a diversidade estava sendo representada, e com apoio de outros movimentos de mulheres.

Foto do grupo reunido escutando Maria da Penha falar.

No dia 14 de março, o grupo participou do evento "Diálogos com Maria da Penha". Na ocasião, a coordenadora do Grupo Inclusivass, Carolina Santos, teve a oportunidade de falar também sobre o violência contra as mulheres com deficiência e os retrocessos no enfrentamento de politicas para as mulheres com deficiência, destacando  a falta de estrutura nos órgãos. Disse que a violência contra mulheres com deficiência té ainda invisível na sociedade.

Depois de sua fala, Carolina, em nome do grupo e do Coletivo Feminino Plural, entregou uma placa de homenagem a Maria da Penha pelo trabalho desenvolvido por ela para todas as mulheres.

Emocionada por estar ao lado de uma mulher que fez de sua história uma luta pelos direitos das mulheres viverem sem violência, Carolina pôde dar um abraço apertado em Maria da Penha e disse: "Continua tua luta pelo mundo e Brasil!".  Afirmou ainda que ela, Carolina, continuaria sua luta, por também ser vítima de violência.

Foto do Sarau com todas as participantes

Assim o grupo abriu sua agenda do mês e  mais tarde seguiu com o Sarau das Inclusivass, Corpos Diversos, na Casa de Cultura Mario Quintana. O Sarau era parte da Programação do Festival Feminista.

Carlena Weber falou de seu livro A minha versão da História. Contou um pouco de suas experiências como mulher cadeirante e os desafios enfrentados por ela.

Em sua fala, destacou que muita gente ainda vê as pessoas com deficiência como coitadas e incapazes, e que ainda esbarra nas desigualdades sociais.

Leila Cenci apresentou eu livro de poemas Jovem Sonhadora, primeira obra como autora independente, Falou da dificuldade de obter apoio para uma publicação.

Do Sarau participaram também Josiane França, rainha do carnaval deficiente visual, e Doris, Miss Plus Size.

No dia seguinte foi a vez do Curta Circuito, que teve a exibição do filme " Carol", exibido pela primeira vez em Poto Alegre, com sala cheia, Carolina Santos falou um pouco sobre o filme e respondeu perguntas.

Para fechar a agenda do mês, o Grupo realizou duas atividades voltadas às Políticas de Enfrentamento a Violência contra as Mulheres com Deficiência.

Para conhecer e fiscalizar as redes de atendimentos voltadas às mulheres vitimas de violência, o grupo realizou duas visitas de monitoramento: ao Centro de Referência Vânia Araújo e à DEAM. Os locais foram fiscalizados pelo grupo, e será elaborado um relatório.

segunda-feira, 28 de março de 2016

MARA GABRILLI RENOVA O SONHO DE VOLTAR A ANDAR APÓS CONSEGUIR MEXER BRAÇOS


Imagem de Mara Gabrilli em pé.
Imagem: Zanone Fraissat / Folha Press
"Foram anos e anos dando choques sem ter nenhum resultado visível. Mas eu acreditava que lá dentro tava acontecendo alguma coisa."


Por: Jhone Sousa


Mara Gabrilli, 48, move sutilmente o braço e faz a mão empurrar uma alavanca que põe sua cadeira de rodas para andar, na sala de seu apartamento. Um gesto pequeno para quem vê, mas gigantesco para ela.


Tetraplégica há 21 anos, por causa de um acidente de carro, a deputada federal pelo PSDB-SP começou há alguns dias a ir ao Congresso na cadeira nova, que ela mesma pilota. Até então, dependia de alguém para empurrá-la. "Me sinto como uma criança que descobre o mundo."


"Ué, como de repente ela tá se mexendo?" é uma pergunta que ela tem ouvido. Mas a verdade é que não foi tão rápido assim. As conquistas aconteceram aos poucos, de cinco anos para cá. A região dos ombros, por exemplo, antes era imóvel e começou a ficar mais solta. "Eu já via avanços. Os outros é que não estavam muito ligados", diz ao repórter Joelmir Tavares.


O tratamento que resgatou parte dos movimentos envolve dois pilares: aplicação de choques, a chamada eletroestimulação, e exercícios que ela faz com cordas, tiras de tecido e suportes para ficar em pé.


Numa manhã ensolarada de segunda-feira, antes de viajar para Brasília, ela inicia mais uma sessão das atividades. Para os choques, que contraem os músculos, uma de suas três funcionárias gruda eletrodos na pele dela e aciona um aparelho.


No caso das pernas, uma assistente a segura por trás, em pé. "Brinco que elas é que tinham que pagar pra trabalhar comigo. Eu sou uma academia!" Com a eletricidade, as coxas ficam "uma tora", enrijecidas. "Rola uma serotonina forte", diz, rindo.


"Foram anos e anos dando choques sem ter nenhum resultado visível. Mas eu acreditava que lá dentro tava acontecendo alguma coisa." A primeira vez que teve força suficiente para deslocar a cadeira foi no fim do ano passado. "A sensação foi de 'conseguiii!' [risos], uma felicidade muito grande. E me senti desafiada a continuar praticando." Tem treinado mais o braço direito, que não responde tão bem quanto o esquerdo.


Parte dos fisiatras e fisioterapeutas, afirma ela, não prescreve a eletroestimulação. "Dizem que não promove movimento, que não tem serventia. Só que eu sempre achei que tinha. Que era melhor contrair uma vez por semana do que nunca."


Mara cria os próprios exercícios com base no que aprendeu com especialistas desde que parou de se mexer do pescoço para baixo. Diz conhecer seu corpo melhor que ninguém. Com "físico de atleta", controla a alimentação e toma 60 suplementos por dia.


A malhação é ao som de música agitada. No teto da sala e da varanda estão pendurados os suportes: cordas nas quais ela se amarra para executar posições de ioga e de pilates; um suporte de ferro em formato de cabide que desliza em um trilho; molas com tiras na ponta onde fica com as mãos suspensas, balançando pela ação da gravidade.


"Agora eu até tenho esse negócio [para segurar a mão], mas antes a costureira fazia com pano, tiara de cabelo. É prego e elástico. Não tem segredo. Basta criatividade." Ela, que exibe nas redes sociais a rotina de duas horas diárias de exercícios, tenta mostrar as alternativas. "Dá pra ficar em pé com um aparelho nacional de choque que custa R$ 700", exemplifica.


De família abastada, ela viaja aos EUA para fazer tratamentos, mas também utiliza serviços do SUS e da AACD. "Tenho consciência de como seria se tivesse nascido numa família pobre. Tudo que não teria, que não conseguiria."


Mara é do tipo de pessoa que encara a vida com bom humor, acredita na ciência e não descrê da espiritualidade. "O primeiro livro que me deram na UTI depois que eu quebrei o pescoço foi 'A Cura Quântica', de Deepak Chopra. Ele explica como transformar energia em matéria, fazer pensamento virar condução elétrica, neurônio. Li, fechei o livro e comecei a trabalhar."


Hoje em dia, ao encher os pulmões para se exercitar, relembra o medo que sentiu naquela época, quando ficou alguns meses respirando com a ajuda deaparelhos. "Parecia uma eternidade. E eu não falava, porque tinha feito traqueostomia. Minha grande conquista foi não precisar ficar presa na tomada. Me sinto muito poderosa por respirar. É a única coisa que faço sozinha, além de falar."


Apesar de precisar de ajuda o tempo todo, ela faz o possível para o corpo não esquecer os gestos. A assistente que leva comida e água à boca de Mara segura junto a mão dela, simulando o movimento. O mesmo acontece no banho e ao escovar os dentes. A deputada ainda não é capaz, por exemplo, de levantar o braço.


Em Brasília, faz pressão por um atendimento melhor para pessoas com deficiência. Circula pelo plenário de pé, presa pelo cinto ao encosto da cadeira, que fica na vertical. "O povo fala que eu empino carroça!", diverte-se.
Quase na hora de sair de casa, ela é colocada na cadeira e pilota pela sala cheia de imagens de Buda ("Comprei uma e aí todo mundo começou a me dar de presente").


Mara já estava mexendo os braços quando, neste ano, seguiu a dica de um amigo e começou a frequentar o centro do médium João de Deus, em Abadiânia (GO). "Você pode acreditar no que for, mas aquilo ali é muito forte."


Durante sua cirurgia espiritual, soube que era o médico Oswaldo Cruz (1872-1917) incorporado no médium. Depois foi pesquisar e se surpreendeu: o sanitarista nasceu em São Luiz do Paraitinga (SP), mesma cidade onde ela sofreu o acidente em 1994, numa rodovia batizada com o nome de Oswaldo Cruz. "Pode ser coincidência, mas..."


Deitada na maca, sob as ordens de João de Deus, ela conseguiu levar o braço até a barriga. "Ele falava: 'Vai, mexe o braço. Vai! Olha o tamanho da fila esperando!'. Assim, brigando comigo", diz ela, aos risos. "Acho importante arriscar. Porque, se eu tivesse o medo de me frustrar, eu não teria nem começado."


Perseverante, Mara ganhou motivos para fermentar a esperança de voltar a andar. "Tenho a teimosia de acreditar nas informações que vêm do meu corpo. Nunca achei que eu tivesse um problema irreversível. Se aconteceu no braço, por que não pode acontecer na perna?"


E segue: "Uma pessoa que fica tetra ouve: você vai ter ferida, ficar deprimido, nunca mais vai sentir, nunca mais isso, nunca mais aquilo. Foram esses os avisos que eu recebi. A única diferença é que o fofo do cirurgião falou pra mim que eu tinha 1% de chance de voltar a me mexer. Eu disse: 'Ah, valeu. Então tô no lucro'".



Fontes: Folha UOL

sexta-feira, 18 de março de 2016

PESSOA COM DEFICIÊNCIA QUE TRABALHE PODERÁ RECEBER AUXÍLIO-INCLUSÃO

Foto de Mara Gabrilli.


Para ter direito ao benefício, o trabalhador com deficiência deverá ter registro formal em carteira de trabalho ou ser servidor público; o trabalhador também não poderá receber o Benefício de Prestação Continuada ou aposentadoria

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) apresentou à Câmara dos Deputados um projeto de lei (PL 2130/15) que concede auxílio-inclusão às pessoas com deficiência que ingressem nomercado de trabalho formal como contribuintes obrigatórios da Previdência (não autônomos) ou como servidores públicos de todas as esferas de governo.

De acordo com o texto, o valor a ser pago dependerá da avaliação da deficiência e do grau de impedimento para o exercício da atividade laboral, mediante comprovação junto aos ministérios do Trabalho e do Planejamento.

O valor do auxílio-inclusão não poderá ser inferior a meio salário mínimo e não poderá ser acumulado com proventos de aposentadoria, exceto se a pessoa com deficiência continuar ou retornar ao trabalho.


BPC

O texto estabelece, ainda, a suspensão do Benefício da Prestação Continuada (BPC), caso a pessoa passe a exercer atividade remunerada e a receber o auxílio. O BPC, instituído pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas - Lei 8.742/93), é destinado aos idosos acima de 65 anos e às pessoas com deficiência incapacitadas para o trabalho ou com renda familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo.


De acordo com o projeto, se o contrato de trabalho for interrompido e a pessoa com deficiência for demitida, ela poderá optar pelo recebimento do seguro-desemprego ou do benefício. Se optar por receber as parcelas do seguro, o pagamento do BPC só será reativado após o recebimento de todas as parcelas do seguro.


O auxílio-inclusão será pago pelas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e será custeado com recursos do Orçamento da Seguridade Social.


Caráter indenizatório

A autora da proposta ressalta que o auxílio-inclusão terá caráter indenizatório e não previdenciário, ou seja, não integra o salário de contribuição nem será base de incidência da contribuição previdenciária, e, portanto, não será utilizado para o cálculo do valor da aposentadoria. “Trata-se de um benefício a ser pago exclusivamente durante a vida laboral da pessoa com deficiência”, explica a parlamentar.


Segundo Mara Gabrilli, atualmente muitas pessoas com deficiência não entram no mercado de trabalho formal, porque têm medo de perder esse benefício, que muitas vezes garante o sustento das famílias.


"O auxílio-inclusão vem justamente para encorajar as pessoas com deficiência a abrirem mão do benefício, porque eles vão receber outro. Vão ingressar no mercado de trabalho e se desenvolver como cidadãos, e não ficar estagnados só porque recebem um benefício", pondera.


Despesas adicionais

O objetivo da medida, conforme a deputada, é custear, pelo menos em parte, as despesas adicionais que as pessoas com deficiência possuem para exercer uma atividade profissional, como contratação de cuidador, transporte diferenciado e tecnologias assistivas, entre outras.


A parlamentar explica ainda que, embora seja um benefício indenizatório, o auxílio-inclusão tem estreita relação com o direito de acesso ao mercado de trabalho formal, por isso não foi inserido âmbito da Lei 8.213/91, que trata dos planos de benefícios da Previdência Social.


Tramitação

A proposta que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: CenárioMT

terça-feira, 15 de março de 2016

NOTA DE REPÚDIO PARA FADERS.

                                           
Imagem retangular com fundo em preto e um retângulo menor ladeado entre as extremidades da imagem na cor vermelha com a frase: NOTA DE REPÚDIO.

                                              Nota de Repudio a FADERS
Nós, mulheres com deficiência do Grupo Inclusivass viemos por meio deste manifestar nossa indignação a resposta dada pela entidade FADERS quando nossa companheira Fernanda Vicari se posicionou contrária a atividade realizada pela Faders escrevendo a seguinte nota na página da entidade marcando o nome das companheiras para que todas tivessem conhecimento da Palestra sobre Sexualidade e Mulher com Deficiência que seria ministrada por um homem:
Mulherada, será que só eu Diferentona que achei estranho um homem falando sobre sexualidade e a mulher com deficiência??? Sendo que temos inúmeras mulheres com deficiência capacitadas a falar deste assunto, e o grupo Inclusivass que busca a visibilidade, protagonismo, etc, especialmente em ações voltadas a questões ligadas a tematica Mulher com deficiência? Ponto negativo para a Faders Acessibilidade Inclusão. Liza Cenci Carol Santos Carolini Constantino Vitória Bernardes Elisa Guarese Cassia Michele Joo CââmaraRegina Gomes Telia Negrao Caline Batista Deise Zanin Liziane Silva HillesheimAlyne Jobim
Salientamos que o Grupo Inclusivass luta pelo direito de igualdade entre homens e mulheres, pelo direito de nossos corpos, pelo direito de termos voz, pelo empoderamento das mulheres com deficiência e pelo direito de sermos protagonista de nossas histórias.
O Grupo Inclusivass tem seu reconhecimento Nacional e existe a 2 anos desenvolvendo atividades para os direitos das mulheres com deficiência.
O Grupo encaminhou um e-mail para o Sr. Presidente da Faders Rock Bacoff repudiando a conduta da entidade e pedindo que fosse convidada uma mulher com deficiência para estar participando, mas se quer tivemos retorno do mesmo, lembramos que o Sr. Presidente já esteve presente em nossas ações do Grupo Inclusivass reconhecendo o trabalho desenvolvido por nós, nos dando total apoio mas quando realmente nos manifestamos contrarias a algo que se refere ao trabalho desenvolvido pela mesma temos a seguinte resposta:
Prezada!
Acolhemos com naturalidade as suas observações sobre a atividade, pois esta temática por sua complexidade desperta e instiga o debate. Mas vale ressaltar que as palestras e estudos técnicos estão para além de gêneros. O fato de que profissionais do gênero masculino sejam estudiosos da temática, ampliam a importância da reflexão e dialogam com o que propõe a ONU Mulheres na campanha “Eles por Elas”, que objetiva o reconhecimento do papel fundamental de homens como parceiros dos direitos das mulheres.
Ainda, destacamos que a Faders se soma as atividades do movimento de mulheres com deficiência, reconhecendo sua legitimidade, mas também como gestora da política pública estadual, busca contribuir e ampliar o debate com seus interlocutores no Estado.
Contamos com todas neste debate!
Att.,
Faders Acessibilidade e Inclusão
Lamentamos tal posicionamento e falta de informação do que se trata realmente a campanha” HEFORSHE” e que deixa claro o mal-uso de uma campanha na qual também apoiamos que tem objetivo a igualdade de gênero, dando para todas as mulheres o direito de voz, direito de ocupar os espaços, direito de decidir sobre seus corpos, direito de viver sem violência e trazendo igualdade de direitos e oportunidades.
A campanha traz uma reflexão sobre termos o protagonismo e empoderamento das mulheres apoiado pelos homens e meninos, mas esbarramos quando nos vemos deixadas de lado pelo comportamento de uma entidade que trabalha em prol das pessoas com deficiência, daí nos perguntamos onde estamos errando ou onde vocês estão errando, sim queremos o protagonismo das mulheres com deficiência, chega de falarem nós e sobre nossos corpos.
O direito de voz traz as mulheres o direito de falar por elas mesmas.
Entendemos que acha estudiosos com essa temática e respeitamos, mas porque não oportunizar a participação de uma mulher com deficiência.
Queremos TER voz,
NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS
Em repúdio ao ocorrido não estivemos presentes na palestra.
Grupo Inclusivass