segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Ser Amiga De Um Cadeirante É... Texto de Jéssica Matos

  

Ser amigo de um cadeirante é...
Imagem de uma das cenas do filme Intocáveis.

Ser amiga de um cadeirante é compreender, de fato, que o mundo possui muito mais desafios do que imaginamos. É educar o seu cérebro para uma mente muito mais inclusiva. É entender que se o seu amigo cadeirante não consegue frequentar determinado local, ali não é bom o suficiente, mesmo quando você está falando da sua própria casa. É se descabelar quando escuta a palavra “escara”, porque só quem tem um amigo cadeirante de verdade entende o real significado dessa palavra. É saber que espasmos não representam um ataque cardíaco. É odiar passeios desnivelados, obstáculos e tapetes.
     Ser amiga de um cadeirante é aprender o porquê de você não poder estacionar nas vagas reservadas para pessoas com deficiência nem por um minuto. Ah, é inclusive aprender porque o termo correto é: pessoa com deficiência. É aperfeiçoar todos os dias a arte da paciência: entenda, ele levará o triplo do tempo para entrar e sair do carro, e nesse momento você aprenderá o prazer de poder ajuda-lo. 
     Ser amiga de um cadeirante é aprender que você não precisa falar com voz de bebê e nem cheia de pudores, pisando em ovos, muito menos que tem que ficar rindo o tempo todo para ele. Você pode ser quem você é. Pode, se necessário, chorar, gritar, brigar, “pedir colo”, criticar e tudo mais...é incrível! Eles não quebram pelo simples fato de vocês terem uma relação normal. E acreditem... muitas vezes eles possuem um senso de humor bem mais aguçado que o seu. 
     Ser amiga de um cadeirante é pisotear todos os dias sobre seus próprios preconceitos. É tornar seu amigo um “objeto” de estudo, porque você quer saber dele todas as dúvidas que todo mundo tem. É correr desesperadamente até ele para contar todas as vezes que você: ver, encontrar, conhecer, conversar com qualquer deficiente. É contar para qualquer pessoa nova que você conheça que você tem um amigo cadeirante. É saber de todos os eventos da cidade que abordem sobre a dignidade da pessoa com deficiência e se tornar um “consultor” sobre o assunto, porque todo mundo quer tirar dúvidas com você. É comprar briga. É trabalhar o tempo inteiro com logísticas. 
     Ser amiga de cadeirante é andar com seu amigo por aí e por um minuto analisar o mundo ao seu redor e se perguntar: “Por que estão todos encarando?”, já que na maior parte do tempo até mesmo você esquece a deficiência dele. 
     Ser amiga de cadeirante é percorrer a linha tênue da autonomia e da dependência. É pedir constantemente: “Me conta de novo a sua história?”, pelo simples fato de ser a história mais emocionante que você conhece. É se emocionar, com a alma, em todas as conquistas dele. Ser amiga de um cadeirante é, todos os dias, ter um choque de realidade ao reclamar da sua vida e se lembrar das inúmeras dificuldades que ele suporta. É ter um exemplo. É agradecer a Deus todos os dias, pelos mais variados motivos, pela vida dele.

Jéssica Matos e seu amigo Thiago Helton
Fonte: Cantinhodoscadeirantes


Revisão E Atualização Da ABNT

Revisão e Atualização da ABNT.
Ao fundo imagem de prédios e a frente algumas pessoas caminhando entre elas com deficiência.

Foi publicada pelo Comitê Brasileiro de Acessibilidade da ABNT a revisão e atualização da Norma de Acessibilidade a Edificações Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos, a NBR 9050.

A NBR 9050 é uma norma que define aspectos relacionados às condições de acessibilidade no meio urbano. Estabelece medidas, critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construções, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade (inclusão), indicando especificações capazes de proporcionar à pessoa com deficiência (e/ou não) a utilização segura do ambiente ou equipamento.
Em outras palavras, os parâmetros estabelecidos na NBR 9050 compreendem a instrumentalização necessária para que qualquer indivíduo possa se adaptar às  condições ambientais do espaço edificado, visto que o conforto e a funcionalidade devem acomodar níveis de segurança ajustáveis a diferentes habilidades, abrangendo a minimização de estresse seja ele pelo esforço físico, pelo movimento ou pela percepção sensorial.
Importante enfatizar de que se trata de uma norma em constante evolução e não um produto acabado, razão pela qual se faz necessário avaliar as condições ambientais e verificar o atendimento às necessidades das pessoas com deficiências.

Consulte essa e outras normas da ABNT sobre acessibilidade, no site da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/normas-abnt

5 projetos de Cunha que são um retrocesso para os direitos humanos.

Foto de Eduardo Cunha.

(Brasil Post, 04/10/2015) O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor da declaração ‘aborto, só por cima do meu cadáver’, voltou a ampliar seu campo de polêmicas. Além do envolvimento na Operação Lava Jato, com as contas na Suíça, Cunha protagoniza mais um episódio com pautas conservadoras na Câmara: o projeto de sua autoria, que inviabiliza o atendimento as vítimas de estupro.

PL 5069/2013: Tipifica como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto
Nas mãos do deputado Evandro Gussi (PV-SP), o relatório da proposta passou a incluir outros dispositivos considerados um retrocesso na política de prevenção à gravidez. Entre outros, o texto dificulta o acesso o acesso à pílula do dia seguinte e exige exame de corpo de delito para comprovar que a vítima realmente foi alvo de agressão sexual.
O Brasil Post selecionou outros quatro projetos de Cunha que representam um golpe na luta pelos direitos humanos no País.
PL 1545/2011: Tipifica o crime de aborto praticado por médico
A intenção do projeto é impedir o exercício da profissão ao médico que praticar o aborto fora das hipóteses autorizadas pela legislação e penalizá-lo também com restrição de liberdade. O argumento de Cunha é que o profissional tem como compromisso preservar a vida.
Para Cunha, as penas para o aborto previstas no Código Penal são extremamente brandas. “O aborto provocado por terceiro é punido com reclusão: de 3 a 10 anos se não contar com o consentimento da gestante, e de 2 a 4 anos se a gestante consentir (o que ocorre na maioria dos casos). E pior, induzir, instigar e auxiliar a mulher grávida à prática do aborto não é considerado crime”, diz trecho da proposta.
PL 7443/2006: Inclui o aborto no rol de crime hediondo
Ao propor a inclusão do aborto no rol de crimes hediondos, Cunha assume que a mulher que praticar o aborto estará cometendo um crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Entre os crimes que atualmente são considerados hediondos estão tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, além de terrorismo.
“O aborto é a morte de uma criança no ventre de sua mãe produzida durante qualquer momento da etapa que vai desde a fecundação (união do óvulo com o espermatozóide) até o momento prévio ao nascimento.”
Ele destaca ainda que a Constituição considera a vida um dos direitos fundamentais. “Sendo assim, fica evidente a preocupação do ordenamento jurídico em proteger os direitos de uma criança ainda no ventre da mãe, que para os efeitos civis ainda não é pessoa, mas poderá vir a ser, se tornando assim herdeira legítima de alguém e vindo como cidadã, a constituir determinadas prerrogativas.”
PL 1672/2011: Institui o Dia do Orgulho Heterossexual
Na justificativa, Cunha alega que “proposta visa resguardar direitos e garantias aos heterossexuais de se manifestarem e terem a prerrogativa de se orgulharem do mesmo e não serem discriminados por isso”.
Segundo ele, ao se discutir o “preconceito contra homossexuais, acabam criando outro tipo de discriminação contra os heterossexuais e além disso o estimulo da ‘ideologia gay’ supera todo e qualquer combate ao preconceito”.
A data seria comemorada no terceiro domingo de dezembro.
PL 7382/2010: Penaliza a discriminação contra heterossexuais e determina que as medidas e políticas públicas antidiscriminatórias atentem para essa possibilidade
Em reação as propostas em análise no Congresso Nacional que tornam a homofobia, Cunha apresentou um texto que também tipifica a ‘heterofobia’.
De acordo com a proposta, “a preocupação com grupos considerados minoritários tem escondido o fato de que a condição heterossexual também pode ser objeto de discriminação, a ponto de que se venha tornando comum a noção de heterofobia”.
Segundo ele, o “ocultamento dessa possibilidade em nada beneficia o rigor na abordagem da discriminação em nossa sociedade”.
Grasielle Castro

Fonte:http://agenciapatriciagalvao.org.br/direitos-sexuais-e-reprodutivos/5-projetos-de-cunha-que-sao-um-retrocesso-para-os-direitos-humanos/

A cada dois dias, uma mulher morre no Brasil devido ao aborto inseguro.

Cirurgia Pixabay/Domínio Público

Nesta quarta-feira (30), o tema principal do terceiro programa do especial "Aborto, um embate pela vida", produzido pela Rádio MEC AM Rio, foi os riscos de morte e sequelas do aborto inseguro, responsável pela morte de mais de 60 mil mulheres por ano no mundo.

O ginecologista Jefferson Drezzet, falou sobre as condições precárias e irregulares do aborto clandestino, onde não existe fiscalização e nem mesmo a mulher tem conSciência de como o procedimento será feito.

Fonte:http://radios.ebc.com.br/ecos-da-terra-genero-e-sustentabilidade/edicao/2015-09/cada-dois-dias-uma-mulher-morre-no-brasil

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Machismo e adolescência: muito além do direito ao shortinho


Precisamos falar sobre:
EDUCAÇÃO SEXISTA E O MACHISMO NAS ESCOLAS.
A falta de investimento na educação beneficia quem?

Ninguém nasce machista. Desde pequenos, somos ensinados a reproduzir uma séria de normas do status quo que coloca as mulheres diversos passos atrás dos homens na possibilidade de uma vida digna. Posto que o machismo não é algo “natural”, e sim, ensinado e reproduzido nas nossas famílias, escolas, na Igreja e televisão, é mais do que possível destruí-lo. A educação é nossa peça chave.

Segundo uma pesquisa feita em 2013, 65,6% das meninas brasileiras são obrigadas a limpar a casa, enquanto somente 11,4% dos meninos possuem essa tarefa. Apenas 11,6% dos meninos arrumam suas camas e 81,4% das meninas o fazem. Além de afetar no rendimento escolar, a desigualdade no tratamento de meninas e meninos dentro de casa, nos designa desde pequenas às tarefas do lar como algo apenas de nossa obrigação.

Quando crescemos, a imposição de regras se aprofunda. Mesmo em 2015, a menstruação, o beijo na boca, a roupa curta, o sair sozinha, a sexualidade, viram tabus criados em cima de nós. Coisas que não podemos discutir nem dentro de casa, nem dentro da escola. Quando menstruamos e modificamos nossos corpos, portanto nos tornamos “moças”, passamos – antes mesmo de entender o que é isso – a ser sexualizadas. Meninas negras ainda mais.

O maior símbolo disso é o uso do shortinho na escola. Diversas escolas o permitem apenas no ensino fundamental. A partir do momento que você entra para o ensino médio, deve adequar-se para os colegas não passarem a mão em você. A partir do momento que você não é mais vista como criança pela sociedade, deve privar-se de suas liberdades até então básicas – como o direito de não sentir calor -, para não ser confundida com uma “puta”, para não ser estuprada, agredida, rodada.

A luta pelo direito das meninas de usar shortinho na escola é fundamental. Nunca houve nenhum escândalo quanto às vestimentas dos meninos, ao mesmo tempo em que quase a totalidade das escolas dão advertências às meninas que não seguem a tão famigerada “norma”. Porém, é importante salientar que nas escolas mais periféricas esse debate quase não existe, a sexualidade é algo muito presente. Colegas e professores dão-se o direito de passar a mão, fazer piadas.

Nos cursinhos, escolas privadas, públicas, da periferia, campo ou cidade, a educação ainda está parada no século XIX no que tange ao direito e liberdade das mulheres. Ainda que hoje estudemos mais, nos envolvamos mais no movimento estudantil, o mundo ainda é feito por e para os homens. A educação precária e sexista deixa marcas para nossa vida inteira.

Por isso é fundamental garantirmos uma educação voltada para o gênero, com as políticas dos PME’s, PEE’s e PNE, que prepare os/as educadores/as para tratar com seriedade e sensibilidade o machismo. É inaceitável que direções se calem diante de situações de abuso e de bullyng. Aquela piada que o colega ou professor segundos depois nem lembram mais, para as meninas se tornarão uma das muitas cargas que carregaremos nas costas. Tu cresceu, é mulher, aguenta. De jeito nenhum. O mundo também tem que ser nosso.



por Fabiana Amorim, diretora da UBES pelo Juntos! e Oposição de Esquerda

Fonte;http://juntos.org.br/

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

28 de setembro, dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto

Imagem retangular na vertical com fundo verde
Na parte superior da imagem a frase: Campanha  28 de setembro.
Dia para a despenalização do aborto.
Abaixo:
Aborto, Legal, Seguro e Livre
Uma questão de direitos, uma questão de democracia.
A imagem de duas mulheres esta na parte inferior da imagem em tons lilas e verde.


No 5° Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho, realizado em 1999, instituiu-se o 28 de setembro como dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto. Desde então, nessa data, o movimento feminista toma as ruas para lutar por esse direito. E, em 2013, não será diferente: diversos estados do Brasil programam ações de rua em defesa da legalização do aborto.

O Brasil está entre os países com a legislação mais restritiva em relação ao aborto no mundo. Na maioria dos países latino-americanos e caribenhos o aborto não é legalizado, exceto Cuba, Cidade do México e, recentemente, Uruguai. Neste último, desde a legalização, em dezembro de 2012, até maio de 2013, foi zero o número de mortes maternas por abortos, além de ter sido reduzida a quantidade de abortos por ano: de 33 mil para 4 mil – o que demonstra os efeitos positivos de retirar a prática do aborto da condição de crime e tratá-lo como questão de saúde pública.

Enquanto isso, em nosso país, o aborto é crime para a mulher que o pratica e para a pessoa que a ajudar, de forma direta ou indireta. O Código Penal vigente, de 1940, permite o aborto apenas nas situações de gravidez em que há risco de morte para a mulher e em caso de estupro. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal aprovou a terceira situação na qual o aborto não é considerado crime no país: quando o feto é anencéfalo/inviável.

Acompanhe mais notícias sobre esse tema em:






Imagens: Rede Feminista de Saúde - RFS

Não pode!

Imagem quadrada com fundo branco e a palavra NÃO que preenche todo a espaço.

No dia 28 de setembro, dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto, deixamos este texto para uma reflexão do que é ser e nascer MULHER.
Não podemos porque?

Não pode abortar. Também não pode fazer um monte de filho. Tem que se prevenir. Mas não pode andar com camisinha na bolsa, é coisa de vagabunda. Não pode ser vagabunda. Mulher tem que se preservar. Se não, homem nenhum vai querer casar com você. Não saia de roupa curta, apertada, transparente, decotada, roupa de piriguéti. Desse jeito, tá pedindo pra ser abusada. Aí um cara passa a mão em você e você ainda vai querer reclamar. Não pode ser piriguéti. Não seja promíscua. Homem age por instinto. Não provoque. Não queira merecer um estupro. Mas, se for estuprada, não pode abortar. A criança não tem culpa. Não pode beber na balada. Aí tá bêbada e te acontece alguma coisa, você ainda vai querer reclamar. Beber demais é coisa de piranha. Não pode ser piranha. Tem que ser direita. Se não, homem nenhum vai te querer. Homem não gosta de mulher que vive na rua. Mas também não fique trancada em casa, que desse jeito não arranja namorado. Não dê no primeiro encontro. Homem não casa com mulher que transa de primeira. Como assim não quer casar? Toda mulher quer casar. Já tá casada faz um ano, vai engravidar quando? Toda mulher tem que ter filho. Mas não engorde depois de ter filho. Homem não gosta de mulher gorda, relaxada. Não pode relaxar. Mas também não fique magra demais. Homem gosta de curvas. Como assim você não gosta de homem? Não pode ser lésbica. Lésbica é promíscua. Bi é tudo sem vergonha. Ficam com essa frescura de lésbica e bi porque ainda não levaram um chá de rola. Tem que casar, tem que ter filho, tem que estar com o corpo no padrão e bem arrumada. Homem não gosta de mulher desarrumada. Depois que ele te trai, você ainda vai querer reclamar. Também tem que trabalhar. Mulher não queria tanto ter direitos? Tem que trabalhar igual homem. Mas ganhar menos. Homem se sente diminuído se a mulher ganha mais. Mas, se por acaso, você ganhar mais, não conte pra ninguém, pra não constrangê-lo. Estude. Homem não gosta de mulher ignorante. Mas não estude muito. Só graduação tá bom. Não precisa de pós, mestrado, doutorado, essas coisas. Homem não gosta de mulher que quer ser mais inteligente que ele. Feminismo é coisa de puta. Não pode ser puta. Se quer igualdade, vai lá servir o exército. Não goste de futebol. Nem de games. Nem dessas coisas de homem. Homem não gosta de mulher que quer entender mais de esportes do que ele. Mulher só quer entender dessas coisas pra chamar atenção dos homens. Homem não gosta de mulher que vive chamando a atenção pra si. Homem não gosta de mulher que fica discutindo assunto de homem. Depois sofre alguma violência e ainda vai querer reclamar.
Não seja puta. Não seja puritana. Tenha filhos. Mas só quando permitirem. Não engorde. Não seja muito magra. Não queira merecer um estupro ou uma surra. Coloque-se no seu lugar. Não fique exigindo direitos. Não questione. Não reclame. Faça o seu papel de mulher. Seu papel de namorada. Seu papel de esposa. Seu papel de mãe. Que papelão! Não trepe. A não ser que seja pra ter filhos. Não faça o que sentir vontade. A Amélia é que era mulher de verdade. Não seja feliz. Não pense.
Se for possível, nem exista.
Cris Moura

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O que está por trás do termo "feminazi"



A popularização do termo em discussões na rede e no mundo real revela um impulso para calar a manifestação de mulheres tentando ser ouvidas

*Editora do portal Lugar de Mulher (lugardemulher.com.br)

A edição de 2012 do Oxford English Dictionary incluiu o termo “Lei de Godwin”, com a seguinte definição: “A teoria de que a progressão de uma discussão online torna inevitável que alguém ou alguma coisa seja eventualmente comparada com Adolf Hitler ou os nazistas, independentemente do tópico original”. Disto derivou-se um conhecimento tácito entre os internautas mais dedicados de que se referir ao nazismo e suas possíveis derivações é uma medida argumentativa desesperada, que deveria fazer o usuário de tal recurso automaticamente “perder” um debate.

Mas, assim como a maioria das leis do mundo off-line, também a legislação informal da internet nem sempre é capaz de garantir os direitos das minorias – e isso permitiu a popularização do termo “feminazi”.

O que o feminismo ensina à política

Descontextualizado, “feminazi” pode parecer só um termo bobo. Ninguém que tenha o mínimo de cognição, interesse ou conhecimento seria capaz de comparar duas linhas tão opostas de pensamento como o nazismo e o feminismo: uma defendendo a exclusão e a outra a inclusão. Para além disso, como ressaltam a jornalista Gloria Steinem e o recém publicado livro Se Isto é Uma Mulher, de Sarah Helm, o próprio nazismo se posicionou fortemente contra o feminismo, perseguindo ativistas e pensadoras, fechando clínicas de planejamento familiar e declarando o aborto um crime.

Ironicamente, o termo foi primeiro utilizado e popularizado nos anos 1990 pelo radialista conservador Rush Limbaugh exatamente para se referir a feministas que defendiam a interrupção da gravidez. A definição do termo dada pelo próprio pode parecer irônica, mas não é: “uma feminista para a qual a coisa mais importante da vida é garantir que seja realizado o maior número possível de abortos”.

A popularização do termo, porém, já extrapola os limites dos direitos reprodutivos e acompanha a popularização do próprio debate feminista, infestando todos os temas possíveis, seja em redes sociais, meios de comunicação ou eventos. Basta que uma mulher “ouse” sair do espaço de fala para ela “delimitado” para que seja submetida ao jugo do termo e, em decorrência, desacreditada e calada.

E a ideia é exatamente essa: não debater, mas silenciar.

Para quem não acompanha os debates feministas pode parecer exagero mas, nos últimos anos, nomes proeminentes da tecnologia, ciência e literatura (para citar alguns tópicos) tiveram exatamente essa postura em relação às mulheres, tanto no Brasil quanto no resto do mundo.

Chocar é a palavra de ordem no feminismo contemporâneo

O grande trunfo por trás de feminazi está em apontar a voz de uma minoria como uma voz raivosa, perigosa e descontrolada, criando distanciamento e reserva em relação ao que está sendo dito. Não importa que se tenha demandas totalmente válidas nem argumentos pertinentes, é importante destruir a possibilidade de diálogo antes mesmo que ele ocorra, evitando que algum desavisado possa ouvir o que está sendo dito e levar em consideração.

Ou seja, não adiantaria dizer para Rush Limbaugh, por exemplo, que as mulheres defendem o aborto com base em questões práticas de saúde pública, nem que, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, da UnB, uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 já realizou aborto, ou que a cada dois dias uma mulher morre no país em decorrência do aborto ilegal e que nosso vizinho Uruguai acabou com essas mortes ao legalizar o procedimento. Nada disso seria levado em consideração por ele, que já havia decidido de antemão encaixar sua interlocutora no estereótipo de mulher irracional, fria assassina de fetos e opressora de homens.

Por isso termos como feminazi dizem muito mais sobre quem os profere, já que a necessidade de silenciar e deslegitimar mulheres retratando-as como descontroladas e incapazes de entender suas próprias demandas não é exatamente nova e tem um nome bastante conhecido: machismo.

Fonte: Zero Hora

Lançamento do Grupo de Estudos Feminino Plural.




PROVOCAÇÕES FEMINISTAS - FILME - LIVRO

Provocações teóricas, com Maria José de Oliveira Araújo, da Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Médica feminista baiana, integrante do movimento Doctors for Choice. Formada em Saúde da Mulher na Universidade de Sorbone. 
Lançamento do filme “O que há de errado com ela?”, de Mirela Kruel. Abordagem do sofrimento mental das mulheres de uma perspectiva crítica que terá audiodescrição mais um trabalho que o Coletivo Feminino Plural vem trabalhando na questão de acessibilidade.
Lançamento do livro “Saúde mental e gênero, novas abordagens para uma linha de cuidado” organizado pelo Coletivo Feminino Plural. Coletânea de textos.
Apresentação do Grupo de Estudos Feministas.

Data:30 de Setembro
Horário: 18:00 ás 21:00

Sua presença é muito importante.
Local: Clube de Cultura – Rua Ramiro Barcelos, 1853 – Bomfim - Porto Alegre/RS
Informações: 51 3221 5298 – Entrada Franca
Apoio e parceria: SPM/PR - Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos - Clube de Cultura.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Atividades da V Conferência Estadual do Rio Grande do Sul.

Data
Horário
Atividade

23/09
(tarde e noite)

14h as 20h
Credenciamento – 14h as 20h
Abertura Oficial – 16h30
Regimento Interno – 17h30
Conferência de Abertura – 18h30
LOCAL: Auditório Mondercil Paulo de Moraes - MP/RS


24/09
(manhã)

8h30 as 12h30
Painéis:
Inclusão Social e Comunicação
Educação
Saúde
Trabalho
Turismo, Esporte e Lazer
LOCAL: Auditório Mondercil Paulo de Moraes - MP/RS


24/09
(tarde)

14h as 18h
Trabalhos em Grupo:
Grupo 1 – Inclusão Social e Comunicação
Grupo 2 – Educação
Grupo 3 – Saúde
Grupo 4 – Trabalho
Grupo 5 – Turismo, Esporte e Lazer
LOCAL: Salas de Trabalho.


25/05
(manhã)

8h30 as 12h30
Trabalhos em Grupo:
Grupo 1 – Inclusão Social e Comunicação
Grupo 2 – Educação
Grupo 3 – Saúde
Grupo 4 – Trabalho
Grupo 5 – Turismo, Esporte e Lazer
LOCAL: Salas de Trabalho.


25/09
(tarde)

14h as 18h
Plenária Final
- Aprovação das Propostas
- Eleição de delegados para IV Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência
LOCAL: Auditório Mondercil Paulo de Moraes - MP/RS

V Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio Grande do Sul.

A V Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio Grande do Sul está prevista para ocorrer em Porto Alegre entre os dias 23 e 25 de setembro de 2015.
Tema Central:
" A implementação das deliberações das Conferências Estaduais de Direitos das Pessoas com Deficiência já realizadas no Rio Grande do Sul"

A V Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio Grande do Sul está prevista para ocorrer em Porto Alegre entre os dias 23 e 25 de setembro de 2015.
Com a finalização das Conferências e Fóruns Municipais, o COEPEDE está na fase de organização final do evento.
Todas as informações serão atualizadas neste espaço do site, para ajudar a comunicação dos conselhos com delegados e delegadas.
Também aqui serão postados materiais referentes a IV Conferência Nacional, que ocorre em abril de 2015.

Informe do COEPEDE: V Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Aos Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Aos Delegados/as Eleitos a V Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência
O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COEPEDE) vem através deste documento trazer informações sobre a realização da V Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
1.      O evento está confirmado para os dias 23 a 25 de setembro de 2015, no Auditório Mondercil Paulo de Moraes do Ministério Público Estadual, localizado na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, nº 80, 3º andar.
2.      Em anexo, segue a programação geral com horários e temáticas, para orientar os participantes.
3.      Lembramos a todos que os custos com alimentação, hospedagem e estadia é de responsabilidade dos municípios.
4.      Nos próximos dias, o COEPEDE estará entrando em contato com os delegados/as para confirmação informações pessoais.
5.      Todas as informações da V Conferência estarão disponíveis no nosso site: www.coepede.rs.gov.br
6.      A Conferência é resultado da ação do COEPEDE com os conselhos municipais, gestores e sociedade civil, portanto, solicitamos que todos somem-se na sua construção, auxiliando na resolução de possíveis problemas que venham a surgir.
Limitados ao exposto, certos de podermos contar com a colaboração todos, manifestamos nossa mais elevada estima e consideração, bem como nos colocamos a inteira disposição para auxiliar no que for necessário.
Cordialmente,
Adilso Luís Pimentel Corlassoli
Presidente do COEPEDE em exercício
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Anexos