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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Como detectar os machistas modernos

Imagem de várias mulheres e ma delas segura um cartaz com a palavra FEMINAZI entre outras em inglês.

“Todo neomachista que se preze dirá a você que ele acredita no feminismo, mas no feminismo de verdade, não nesse que quer a supremacia da mulher”; blogueira ajuda a identificar indícios de que você está lidando com um machista
Por Barbijaputa, do El Diario | Tradução por Mari-Jô Zilveti, da revista Samuel
O machista de sempre está com os dias contados, e ele sabe disso. Por isso ele se reciclou e se reinventou, abandonando o clássico “tinha de ser mulher!” e tornou-se o passivo-agressivo: “eu acredito na igualdade, porém você não busca isso” ou a última novidade: “você não é feminista, é femista”. Para cada onda do feminismo, há uma onda de machismo, que se ajusta ao contexto para tentar manter seu status. Eis algumas formas para que você reconheça o neomachista, já que, com apenas um olhar, eles podem parecer pessoas normais.
1.   Usa a palavra femista (que equivale à norma culta de “feminazi”): o femismo, segundo os neomachistas, engloba todas aquelas feministas com as quais eles não estão de acordo. É um movimento que tem, ao que tudo indica, o objetivo oculto de conseguir acabar com o patriarcado para instaurar um matriarcado. O neomachismo argumenta que as femistas odeiam os homens, os motivos deste ódio podem estar sendo causados por vários motivos:
a)   Porque você é má. (Existe alguma coisa pior do que uma mulher má?);
b)   Porque um homem alguma vez fez alguma coisa para você e você desconta em todos eles. (Por acaso uma mulher pode ficar com raiva ou sofrer na vida por algum motivo que não tenha a ver com um homem?);
c)   Porque você não pratica sexo como deveria. (Já sabemos que o pênis é a solução para todos os nossos problemas, e se não fazemos sexo com frequência, aconteça o que acontecer, não nos relaxamos, ficamos com raiva e pagamos essa frustração contra o homem);
d)   Você é lésbica. (Imagine uma mulher que nunca viu um pênis, UAU, como isso pode acontecer!?).
e)   Todas as respostas anteriores estão corretas.
2.   O neomachista defende a igualdade, porém o que ele entende por igualdade, não o que você, mulher, entende. O neomachista sempre dirá a você que ele acredita que todos somos pessoas e que por esse motivo não se pode diferenciar os gêneros. Ele ficará incomodado se lhe parecer que você luta (ou inclusive fala sobre feminismo) demais, porque uma coisa é acreditar na igualdade, e outra é pegar pesado sobre o assunto. Uma coisa é “ajudá-la” em casa e outra dividir tarefas de casa meio a meio. Uma coisa é combater o machismo, e outra é deixar que as mulheres escrevam artigos feministas sem lhe tirar a razão em vários pontos: igualdade, sim, porém sem crescermos muito, não vamos ficar bitoladas. O neomachista quer, basicamente, que defendamos a igualdade em voz baixa, naquele canto, onde o barulho não chegue a incomodá-lo.
3.  O neomachista enfiará seu nariz em toda conversa sobre feminismo na qual você estiver para fazer você, mulher, enxergar que está equivocada, e porque sua argumentação está errada ou incoerente: “mas por que quando você não paga nas baladas, você não reclama, hein?”. Depois ele vai explicar a você qual é a melhor forma de procurar pela igualdade: “na Arábia Saudita sim elas estão mal, veja ali primeiro onde elas estão piores se você se importa tanto pela igualdade”. Ele também fará com que as medidas tomadas contra assassinatos sexistas pareçam leis muito injustas para eles: “com a Lei Maria da Penha”, os homens inocentes são presos apenas porque a mulher quer, é essa a igualdade que você defende?”. O neomachista não se baseará em fatos, não dirá que a lei salva vidas, e que as denúncias falsas são irrisórias (como pode ser possível que escutemos as palavras “denúncias falsas” e já saibamos que falamos de mulheres perversas denunciando homens inocentes, se, no âmbito geral, as denúncias falsas por violência de gênero são minoria, e a grande maioria são por roubo de celulares?).
4.   Um bom neomachista vai acusar você de ser vitimista para, logo em seguida, se fazer de vítima: “a grande maioria dos assassinatos são de homens, não de mulheres”, obviamente ele não dirá a você que esses assassinatos são cometidos por outros homens.
5.   A variedade de argumentos do neomachista será tão variada quanto os argumentos que você tiver para defender a igualdade, ele sempre terá uma réplica falsa, nunca lhe dará a razão ou, pior ainda, dará parcialmente, para que você também ceda e não seja tão cabeça dura.
6.   Todo neomachista que se preze dirá a você que ele acredita no feminismo, porém no feminismo de verdade, não nesse que quer a supremacia da mulher. E de fato, ele pensa que esse feminismo existe. Acredita firmemente que há um movimento de mulheres que odeiam homens e que planejam conquistar o mundo e colocar outras mulheres em cargos que não merecem. Que há um ativismo na sombra que pretende que se legisle para prejudicar o homem em tudo que for possível, um movimento cheio de mulheres loucas que pretendem instaurar um sistema que os oprima, que lhes faça cobrar menos, um sistema que faça com que a medicina pesquise menos os seus males, que consiga que passem medo pelas ruas quando se encontrarem com outras mulheres, um sistema que os coisifique e os subestime e que, em última instância, os mate por considerá-los menos humanos.
E esse sistema que pretende este hipotético femismo é considerado por eles como inaceitável. Por isso, para evitá-lo, eles brigarão contra ventos e mares, se revoltarão com cada artigo feminista que lhes parecer ameaçador, desprezarão e tirarão sarro de cada reflexão feminista, humilharão todos os homens que lutarem junto às mulheres contra o patriarcado e buscarão brechas, em qualquer coisa que você disser, relacionada a este tema para convencê-la de que você tem de parar com essa mania feminista tão feia que você tem.
É interessante que o que pretende o hipotético femismo é justamente a mesma coisa que já temos, porém com eles oprimidos em vez de nós. E mais interessante ainda é que contra o sistema já existente no qual vivemos não os vemos tirar as unhas, nem argumentar contra, nem brigar com a mesma fúria que empregam contra este sistema imaginário que pretendem as supostas femistas. É digno ver como lutam com ferocidade contra algo que não é nada mais do que uma hipótese de quem não entendeu nada, mas não contra uma estrutura que já existe, simplesmente porque eles não são os afetados e sim os privilegiados.
O guia para entender os neomachistas termina aqui. Continuaremos informando porque, lamentavelmente, eles continuarão se reinventando.
(Foto: Flickr/CC/Terence McCormack)
Fonte:http://www.revistaforum.com.br/

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Luz, câmera, ação: gravações dos depoimentos para Documentário estão prontas!!

Mirela Kruel e Tânia Cunha.

Precisamos estar sempre bem? foi uma das perguntas que norteou o conteúdo do Documentário que está sendo produzido pelo Girassóis e é título da cartilha criada pelo projeto. Com apenas uma resposta "depende", o "não" foi unânime. É isto mesmo: das seis entrevistadas que tem relação muito próxima com o projeto apenas uma delas acha que "estar sempre bem" é meio relativo.

Para Tânia Cunha, uma Mulher da Paz que atua direto na comunidade de Canoas, e que respondeu "não" ao ser questionada, tem consciência de que a sociedade cobra o "estar sempre bem". No entanto, ela sabe que o tema da saúde mental não é de fácil abordagem porque falar sobre isso com mulheres sempre remete à loucura. E a primeira coisa que as usuária evitam é serem chamadas de loucas sempre que se queixam de algo. Por isso, a abordagem deve ser muito sutil. " O que a gente faz são ações em que distribuímos a cartilha e fazemos essa pergunta. E a partir disso a gente inicia uma conversa que as deixa animadas para falar sobre esse tema que não é muito discutido. Elas têm a consciência de que ao queixar-se da vida logo são chamadas de louca e para evitar este estigma, silenciam", conta.
Cris Bruel


Já a psicóloga do projeto, Cris Bruel,  quando questionada sobre como a saúde mental e as questões de gênero se cruzam, respondeu que a diferença entre sexo implementa a relação de desigualdade a partir das diferenças e, a partir daí em função das relações assimétricas que se estabelecem põe em xeque a questão da saúde mental das mesmas. Infelizmente vivemos numa sociedade  que responsabiliza totalmente a mulher no âmbito familiar, ou seja, ela é responsável pela educação dos filhos, tarefas domésticas, entre outros configurando assim a chamada tripla jornada. Além disso, quando sai para trabalhar, mesmo tendo a mesma formação profissional que o homem e assumindo os mesmos postos de trabalho, recebe menos por isto. Um outro dado da diferença entre mulheres e homens é que a mulher enfrenta também um universo cheio de estereótipos sobre a imagem feminina. A partir disso se percebe que as relações de gênero são cercadas por muitas questões que se interpõe à saúde mental das mulheres. Segundo Cris Bruel, é necessário desconstruir o mito de que devemos estar sempre bem, sempre dar conta de tudo, fazer mil coisas e além de tudo cumprir com os padrões de beleza impostos pelos meios de comunicação. Considera além disto que é importante trazer à tona a voz destas mulheres silenciadas durante anos a fio. 
Sara Cogo


Além das duas atuantes no projeto citadas acima, participaram da gravação: a médica Mazé Araújo; a coordenadora da Saúde Mental de Canoas, Sara Cogo; a assistente social do CRM, Greice Cavalheiro e a coordenadora do Projeto Girassóis, Regina vargas.


Gostaria de saber o que cada uma dessas mulheres falaram sobre os outros temas que nortearam o vídeo? Aguarde. Em junho ele será lançado no seminário, dia 11 de junho. 

No comando das cenas esteve a diretora de filmes, criadora de imagens e jornalista, Mirela Kruel que tem na sua bagagem de experiência  filmes que foram premiados em festivais importantes no Brasil entre eles: Palavra RoubadaNordeste B e Trilhos e Um poema incurável

 A gravação dos depoimentos foi realizada na Casa das Artes Villa Mimosa, um espaço artístico da cidade de Canoas.

Fonte:http://girassoisgenero.blogspot.com.br/

quarta-feira, 20 de maio de 2015

MARIA DE RODAS / Carolina Ignarra / Flávia Cintra / Tatiana Rolim

Vamos divulgar uma vez por semana dicas de filmes e livros com os temas pessoas com deficiência.
Dica da semana: O livro Maria de Rodas
A capa do livro mostra uma roda de carrinho e ao lado escrito Maria de rodas e ao fundo vemos a imagem de uma cadeirante com uma criança na volta dela.
“Eu estava apreensiva para ouvir o choro dela. Era o primeiro  som que eu ouviria fora do meu útero, fora de mim, pra mim!”
Tatiana Rolim
“O significado da amamentação para mim é muito maior que a importância saudável do ato. São momentos de união que, de certa forma, traziam de volta minha filha para “dentro” de mim. Também era um momento onde o amor da nossa relação crescia e se fortalecia.”
Carolina Ignarra
“Há algum tempo, eu li que ser mãe é ter o coração batendo do lado de fora do peito. É isso que eu sinto. É como se meu pedaço mais importante vivesse fora do meu corpo.”
Flávia Cintra
Carolina Ignarra é sócia e consultora da Talento Incluir. Casada com o Tato, mãe da Clara. Não vive sem fazer as unhas. A Clara adora quando a Carol vai buscá-la na escola.
Flávia Cintra é jornalista, repórter do Fantástico (TV Globo). Mãe da Mariana e do Mateus. Não vive sem o seu celular. O Mateus e a Mariana adoram as conversas com a mamãe na cama antes de dormir.
Tatiana Rolim é psicóloga, psicopedagoga e consultora em Rh-Inclusão. Mãe da Maria Eduarda. Não vive sem morder canetas. A Mahê adora quando a mamãe senta no chão para brincar com ela.
Para enriquecer esta obra as autoras convidaram duas outras mães com diferentes experiências:
Juliana Oliveira é publicitária e apresentadora do Programa Especial (TV Brasil).
Casada com o Pedro. Mãe da Isa e da Lis. Não vive sem o calor do sol. A Isa e Lis adoram quando a mamãe canta pra elas.
Katya Hemelrijk é administradora, designer e coordenadora de comunicação na Natura. Casada com o Ricardo, mãe da Yasmin e do Renan. Não vive sem se divertir. A Yaya e o Re adoram sentar no sofá, com o papai e a mamãe, para assistir filme com direito a pipoca.

Serviço:
Maria de Rodas
Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes
Carolina Ignarra
Flávia Cintra
Tatiana Rolim
Scortecci Editora
Autobiografia
ISBN 978-85-366-2661-1
Formato 14 x 21 cm
136 páginas
1ª edição - 2012
Valor: R$ 35,00

Fonte:http://www.amigosdolivro.com.br/