O Movimento Feminista Inclusivass foi fundado em 30 de agosto de 2014, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, por Carol Santos e demais companheiras, a partir da articulação iniciada no 1º Seminário Mulheres com Deficiência e Políticas Públicas, realizado em março de 2014. Ao final do seminário, ativistas e lideranças deram continuidade à organização autônoma e à construção coletiva de ações.
O lançamento do Projeto Por Todas Nós, ocorrido na última sexta-feira, 22 de novembro, na sede do Coletivo Feminino Plural, como parte da agenda dos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. O projeto foca nos impactos das enchentes recentes na vida das mulheres gaúchas, especialmente as mulheres com deficiência, oferecendo apoio àquelas que sofreram perdas significativas.
Durante o evento, houve partilha de vivências relacionadas à enchente, incluindo os esforços realizados pelas Inclusivass, que prestou assistência a mulheres e crianças da região sul de Porto Alegre através de doações. O debate incluiu a necessidade de incorporar a crise climática à agenda dos movimentos feministas, destacando a intersecção entre gênero e questões ambientais.
Outros tópicos abordados foram o aumento do feminicídio no estado e a falta de políticas públicas para enfrentá-lo. A reunião contou com a participação de diversas organizações e movimentos, como:
Coletivo Feminino Plural, Fórum Municipal da Mulher de Porto Alegre, Levante Feminista Contra o Feminicídio RS e nacional, Observatório da Lupa Feminista, Querelas Jornalistas Feministas, Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Sindjors, Clínica Feminista e Conselho Estadual dos Direitos Humanos.
O projeto recebe apoio do Fundo Elas+, reforçando a importância de iniciativas que conectem o combate à violência de género com a promoção de justiça social e climática.
Foto de Marta abaixada ao lado de Carol e Bruna em pé.
O 1º Encontro Nacional do Levante Feminista Contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio reuniu mais de 100 mulheres de todas as regiões do país, promovendo uma importante articulação na luta contra as violências de gênero e feminicídio no país.
A participação ativa das companheiras Carol Santos e Marta Moura, ambas integrantes da executiva do Levante Feminista, reforçou o compromisso do movimento com a causa.
Durante o encontro, as participantes refletiram sobre a trajetória de quase quatro anos de campanha, analisaram estratégias e os altos índices de crimes de feminicídio no país. O evento culminou com a elaboração de uma carta do Levante, entregue à Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, que esteve presente no último dia das atividades, reforçando o apoio institucional à luta contra o feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio.
O projeto tem como objetivo mapear e apoiar mulheres com deficiência, assim como mães solo com filhos com deficiência, que foram gravemente afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul em maio de 2024.
Durante essa crise climática, chuvas intensas, inundações, rompimentos de barragens e deslizamentos de solo devastaram 469 municípios, incluindo Porto Alegre e áreas metropolitanas, onde o lago Guaíba transbordou rapidamente, deixando várias regiões inabitáveis.
Diante da falta de resposta adequada das autoridades, a solidariedade popular foi crucial para salvar vidas, inclusive de animais. Muitas mulheres do movimento enfrentaram situações extremas: algumas tiveram que evacuar suas casas devido ao risco de enchentes e desmoronamentos, enquanto outras sofreram danos diretos em suas residências.
Em resposta ao cenário de abandono por parte das autoridades, o Movimento Feminista Inclusivass desempenhou um papel crucial na mobilização e organização de ações coletivas para apoiar as mulheres afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Integrantes do movimento, muitas delas também impactadas diretamente pela crise, lideraram iniciativas de solidariedade, como monitoramento das águas, rifas e campanhas de doação. Com a união de forças de movimentos sociais e lideranças da região sul de Porto Alegre, foram criados pontos de coleta e distribuição de suprimentos, que atenderam tanto às necessidades básicas e urgentes.
Apesar da falta de dados detalhados sobre o número de mulheres com deficiência afetadas pelas enchentes, o projeto está comprometido em mapear, fortalecer e acompanhar essas mulheres.
Com o apoio do Fundo Elas+ o objetivo é adquirir equipamentos de mobilidade e outras necessidades para restaurar a autonomia dessas mulheres e acompanhá-las durante o projeto. Além de apoiar a reestruturação pessoal, a iniciativa visa promover a inclusão nas políticas públicas, garantindo que todas sejam atendidas.
O projeto tem apoio do Coletivo Elza Soares e Centro de Referência Prof Lisiane Lopes.
Card em tons lilás. Na borda esquerda sobre um fundo a palavra: mídia. Abaixo centralizado o print da matéria e ao lado foto de Carol Santos. Na borda inferior sobre um fundo o texto: ‘A culpabilização das mulheres em relação a violência é muito forte’, afirma sobrevivente de feminicídio.
Para marcar os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher o BdFRS conversou com duas sobreviventes